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"Se rugas têm de ser escritas na testa, não permita que se inscrevam no coração. O espírito jamais deve envelhecer" James Abram Garfield
Segunda-feira, Julho 28, 2008
O SOM NOSSO DE CADA DIA
(versão estendida e sem cortes)
Não tem jeito... Vira e mexe e eu volto a falar de discos e música.
E os posts da Jack e do Marco me fizeram lembrar dos meus aparelhos de som. Nem foram tantos assim, mas marcaram fases da minha vida.
Já escrevi sobre isso aqui no Play há alguns anos e o texto a seguir é uma reedição estendida do citado post.
Chamava-se O SOM NOSSO DE CADA DIA.
O rádio-vitrola do meu pai era um móvel escuro e pesado com o rádio na parte frontal e uma tampa na parte de cima que se abria expondo a vitrola em seu interior.
Os discos, de 78 rotações, eram pesados e feitos de um material chamado goma-laca que se quebrava com facilidade. Qualquer queda era fatal. Por isso, tanto a vitrola como a coleção de discos de meu pai, eram proibidos aos nossos pequenos e curiosos dedinhos. Só nos era permitido ligar o rádio.
Eu já era crescidinho quando ganhei dos meus avós o meu próprio rádio-vitrola. Era um Philips, reformado, bem no estilo anos sessenta. Móvel claro de cerejeira, pernas finas, duas portas frontais. Rádio na direita e vitrola na esquerda.
A vitrola tinha quatro velocidades: 16, 33 e 1/3 (nunca entendi essa fração adicional), 45 e 78 RPM (rotações por minuto).
Esse aparelho me acompanhou na mudança para o Rio de Janeiro, em 1968, e fez muito barulho, durante as minhas festinhas, para a infelicidade dos meus vizinhos naquela rua tranqüila de Vila Isabel.
Já nos anos setenta eu ganhei da minha avó, de aniversário, aquele que foi o meu primeiro aparelho de som moderno. Um sistema modular Gradiente System 95, cinza grafite, igualzinho ao da foto.
Gradiente System 95
Consistia em um toca-discos Garrard (ótimo), tape-deck, receiver, caixas de som e rack em madeira maciça (nada de aglomerado).
Era muito bom! Gravei "toneladas" de fitas cassete com as minhas seleções de rock e discoteca. Aliás, foi com ele que tive a minha primeira experiência de gravar direto do toca-discos e do rádio para a fita, sem precisar usar o microfone encostado na caixa de som.
Depois de vários anos de bons serviços, e muita diversão, troquei-o por um modelo mais novo e mais compacto da própria Gradiente, o CS-34 da foto.
Gradiente CS-34
Se arrependimento matasse... Não que esse fosse ruim de todo, mas nem se comparava com a qualidade do anterior. Não me perguntem por que o troquei... Eu não saberia responder.
Foi aí que eu resolvi economizar e comprar um sistema de som que fosse realmente bom, segundo os meus critérios.
O resultado foi um conjunto da Technics composto por receiver, duplo-deck, ótimas caixas de som e toca-discos. Mais tarde incorporei o meu primeiro cd player.
Hoje não possuo mais esse equipamento. Além dos manuais da imagem acima, só mantenho o toca-discos onde eventualmente rodam os meus bolachões (ainda tenho uns 400). Quando tenho tempo e disposição gravo alguns em CD-R (aposentei as fitas cassette há alguns anos).
Atualmente metade das músicas que ouço saem do home theater da sala e a outra metade das caixinhas do computador.
*Fotos dos aparelhos Gradiente tiradas daqui: AUDIORAMA!
::: Relembrado por Paulo
12:02 AM
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Domingo, Julho 20, 2008
Tesouros da (minha) Juventude
Não sei vocês, mas eu adoro começar um texto com a expressão: “Não sei vocês, mas...”
Então, vamos lá: Não sei vocês, mas eu nunca me desfiz de nenhum de meus discos em vinil. Nem os coloridos, com historinhas infantis da coleção Carroussel. Alguns estão de tal forma impregnados de minhas antigas ternuras que se constituem em meus tesouros da juventude (nome de uma enciclopédia que eu tenho e que é uma deliciosa antiga ternura. Um dia falo sobre isso).
Tenho disco que me consolou depois de paixões que não deram certo. Alguns compactos simples foram minha única companhia em noites de solidão. Nunca poderia me desfazer de nenhum deles. Seria como amputar parte de mim.
*
Passemos, então, ao que interessa. Comprei um aparelho de som novo e fiz questão que ele tivesse entrada para toca-discos. Agora só falta comprar um pick-up para voltar a ouvir minhas preciosidades em forma de bolacha preta com um furo no meio.
Lembro que o primeiro disco que comprei, em mil novecentos e não vem ao caso, foi um compacto duplo com quatro músicas de filmes, todas compostas por Henry Mancini. O carro-chefe era o melosíssimo tema de “Romeu e Julieta” (direção de Franco Zefirelli). Eu tinha visto o filme e me apaixonado pela Olivia Hussey (eu costumava me apaixonar por atrizes de cinema. Alias, ainda continuo. A Jennifer Connely sabe disso. Ou deveria saber). Comprei este disco com a grana que ganhei vendendo picolés (coco, uva, maracujá, limão, milho verde e creme holandês...Lembro como se fosse hoje!)
*
A partir daí, qualquer dinheiro que eu arrumasse, ou seria entregue ao dono da banca de jornais em troca de gibis ou ia direto para o setor de discos da Ultralar (hummm... Melhor eu pular esta parte, se não entrego a idade e vai ter gente pensando que eu fui garçom na Santa Ceia e comissário de bordo do 14-Bis...)
*
Houve um tempo em que o “Jornal Hoje” lançava músicas como tema de abertura. E eu sempre acabava comprando os compactos.
Dessas, tenho “Evie” (com Johnny Mathis), “Rainbow Rockin’ Chair” (com Majority One), “What I’ll do” (com Tony Gregory and Family Child), “Don’t Turn Around” (com Black Ivory), “Stop! Look! Listen” (com Diana Ross e Marvin Gaye), “If” (com Bread, uma das músicas mais lindas já feitas)...
Como, de forma geral, eram baladas, quando rolavam as famosas festinhas na casa do Jurandir (era quem tinha uma varanda grande e uma lâmpada de luz negra) eu assumia a aparelhagem de som e botava tudo para tocar na hora do mela-cueca (imagino que a atual mocidade nem sequer supõe o que seja isso... esses moços, pobre moços, ah se soubessem o que eu sei...). E a gente dançava juntinho, depois de ter tomado uns aperitivos – leite de onça, calcinha de nylon e batida feita com Q-Suco e leite condensado, além dos sempre presentes cuba libre, coquetel a base da coca-cola com rum Merino (o Montilla era muito caro).
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Lá na minha localidade, fui eu quem lançou “Gladys Knight and The Pips”, por intermédio do compacto “Neither One of Us” – que bem depois de eu ter comprado o disco foi tema de abertura do Jornal Hoje...
Lembro que o meu amigo Alcir, uma espécie de meu “Obi Wan Kenobi” da música, ficou doido quando ouviu.
E por falar no Alcir, foi ele quem me apresentou à banda espanhola de soul music “Barrabás”, autor do mega-sucesso “Woman”, que quando tocava nas festinhas, fazia a moçada chacoalhar a caveira até cansar. Aliás, foi o Alcir quem me apresentou a vários artistas que eu desconhecia: Donnie Elbert, Johnny Nash, Timmy Thomas...
*
Não posso deixar de falar nas trilhas de novela. Sei que até hoje elas fazem sucesso. Mas quando a Globo começou a lançar os discos, era uma forma da gente conhecer artistas que não tinham álbuns lançados no Brasil (Stylistics, por exemplo) e tomar conhecimento de músicas fantásticas de músicos já consagrados. De todas as minhas trilhas da época, destaco a “Bandeira 2 Internacional”. Uma preciosidade, senhoras e senhores! Até hoje fico alucinado em ouvir, por exemplo, “How Can You Believe”, música instrumental solada na gaita por um certo Eivets Rednow, um rapazola cego que já era conhecido na época como Stevie Wonder (perceberam o anagrama?). Pois é.
Ele chegou a lançar um LP intitulado “Alfie” como Eivets Rednow, onde tocava gaita, bateria, teclado... E eu deixei de comprar este disco! Até hoje fico procurando por ele em sebos.
A outra música do Stevie no “Bandeira 2” também é memorável: “Think of Me As Your Soldier”. É linda! Excelente para dançar agarradinho (o tal “mela-cueca que eu falei...).
*
Tenho um disco que é uma verdadeira obra-prima: “First”, primeiro disco-solo de David Gates, o líder e mentor do conjunto Bread. Não há uma música sequer que a gente não aplauda de pé. E tem um outro LP que me é particularmente caro: “Sweet Baby James”, de James Taylor, em que tem “Fire and Rain”.
Lembro que uma vez, estava numa fossa danada, daquelas de juntar cachorro em volta, por causa de uma criatura fêmea e ouvia “Fire and Rain” direto. Quase gastei os sulcos do disco! Quando assisti ao show do James Taylor (duas vezes: uma no Rock in Rio 1 e outra no Rock in Rio 3), e ele tocou esta música, não pude deixar de lembrar daquela memorável dor de cotovelo.
*
Vocês repararam que eu só coloquei música em inglês, não é? Pois é. Naquela época a gente só ouvia músicas cantadas em inglês. Até artistas brasileiros gravavam com nome estrangeiro e músicas na língua de Shakespeare, James Joyce e do pessoal da Barra da Tijuca. Tinha o Light Reflections (“Tell me you once again, that you know, that I’ die…”), o Pholhas (“ ’Cause I still remember she made me cryyyyyyyyy…”), o Terry Winter (“On a summer day/ (On a summer day)/ I met you/ Summer Holliday/ (Summer Holliday)/One of few” – esta música ele fez com um grande amigo meu, o Deuclides Gouvea, que assinava como “Dell Clyde”)… Nossa! A lista seria grande!
*
Eu gostaria que este post fosse lido ao som dessas músicas que eu citei. Que começasse pelo barulhinho da agulha encostando no disco, seguido daquele chiadinho característico... E quando chegasse nesta parte do texto, coincidisse com o fim do disco, com a agulha chegando ao final do sulco, parasse lá, com o prato continuando a girar... Em silêncio.
PteroMarco
::: Relembrado por Jack
7:44 AM
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Terça-feira, Julho 15, 2008
O som de antigamente
Sei lá quanto tempo tenho esse post em mente. Mas nada de conseguir escrever sobre. Não sei se tinha algum tipo de bloqueio, vai saber... Primeiro não conseguia ilustrar, pois não achava nada no Google que pudesse ao menos lembrar o que era uma Sonata. Fucei tanto que acabei encontrando. Fotos coloridas no site do Mercado Livre. Pois é, ainda a vendem lá! Logo após, mexendo em fotos antigas na casa de minha mãe, achei fotos minhas e de meus irmãos com a dita cuja. Acreditam? Ah, vão acreditar sim, pois cá estão as mesmas ilustrando o texto desta jurássica.
Na infância tivemos uma Sonata como toca discos da casa. Não sei se alguém mais se lembra o que era, mas agora não vai ser por falta de ilustração que alguém vai deixar de lembrar. O nosso era vermelho. Meus avós também tinham. Só que o que deles era verde. Com prato de borracha e tudo! Velocidade 33, 45 e 78 RPM.
A parte do prato se acoplava perfeitamente na parte inferior do alto-falante. Isso fazia da Sonata quase um eletrodoméstico portátil. Você podia carregar pra onde quisesse. Inclusive pras festinhas em casas dos amigos e bailinhos de fundo de quintal. O aparelho possuía uma espécie de trinco que a segurava lá. A parte superior do alto falante tinha uma alça. Era só tirar a parte do prato de dentro do auto-falante. Uma grande conquista àquela altura, anos 60. Pois antes disto os toca discos eram imensos e se ‘escondiam’ dentro de móveis!
::: Relembrado por Jack
6:12 AM
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Segunda-feira, Julho 07, 2008
jardineiras e bondes
O bonde, antes dos significados atuais, foi um meio de transporte coletivo muito importante nas grandes cidades brasileiras. Andei muito de bonde quando criança. Ué, mas tinha bonde em Duartina? Infelizmente, não. Apesar de ser uma “metrópole”, em vez dos bondes, Duartina tinha as jardineiras – precursoras dos micro-ônibus, abertos dos lados, com bancos de madeira que iam de um lado ao outro, com estribos nas duas laterais para a gente subir e do lado de fora, lá atrás, tinha uma escadinha que ia pro teto da jardineira, para levar as bagagens e as compras dos passageiros. Essas jardineiras transportavam o povaréu das vilas e dos sítios e fazendas da redondeza para a cidade e vice-versa. Muitas grandes empresas de ônibus começaram dessa forma simples.
Mas como ia dizendo, andei muito de bonde. Acontecia quando íamos pra São Paulo durante as férias escolares, que passávamos na casa dos meus tios que moravam alí na Teodoro Sampaio, quase esquina com a Fradique Coutinho. Era um meio de transporte barato e prático.
Dentro dos bondes, a gente ocupava o tempo lendo os diversos reclames, como aquele famoso do rum creosotado e outros como os da Pomada Minâncora, Biotônico Fontoura, Gumex (Dura Lex, Sed Led, no cabelo só Gumex) e um outro meio assustador, do Xarope São João com um homem desesperado com olhos arregalados, querendo se livrar de uma mordaça, gritando "Larga-me! Deixa-me gritar!" . Antes da televisão, o bonde foi um meio bastante utilizado para fazer propagandas e eficiente, haja visto esse jurássico que ainda hoje consegue se lembrar de algumas...
Haviam outros anúncios, que demorei anos e anos para entender, como o do Regulador Xavier, que não tinha a menor idéia para que servia. Tampouco o que significava "aqueles dias" da propaganda da Saúde da Mulher.
A malha de linhas de bondes elétricos em São Paulo chegou a ter mais de 1000 km. Inaugurada em 1900, a malha começou a ser desativada pouco a pouco a partir de 1960. No dia 27 de março de 1968 a única rota remanescente, a Vila Mariana-Santo Amaro, teve o seu último dia de operações. O Metrô estava chegando. E tive a felicidade de participar disso também, trabalhando durante a fase inicial, de planejamento e construção, até um pouco antes da inauguração da primeira linha.
Apesar dos bondes terem sido abandonados por serem considerados obsoletos, algumas grandes cidades aqui nos Estados Unidos, inclusive aqui perto em Denver, estão usando esses veículos, numa nova reencarnação, com um novo nome e com vagões modernos. São os chamados Light Rail, mais baratos do que metrô para serem implantados e serem operados.
Fotos deste site e também daqui.
::: Relembrado por gaijin4ever
4:34 AM
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