Seqüência dos Dinos


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"Se rugas têm de ser escritas na testa, não permita que se inscrevam no coração. O espírito jamais deve envelhecer" James Abram Garfield

Sábado, Março 29, 2008

A velha infância





Em priscas eras, o ambiente onde eu trabalhava favorecia minhas “aprontações”. Eu e alguns dementes como eu nunca perdíamos a chance de uma piada. Por exemplo: no nosso setor, deixar bolsa ou carteira dando sopa era um perigo sério. Bastava a vítima sair da sala que pegávamos a carteira e grampeávamos todas as suas notas. Fim do expediente, a criatura entrava no ônibus de volta para casa, na hora de pagar descobria que todo o seu dinheiro estava preso por milhares de grampos. Ficava ali, diante do cobrador, na catraca, arrancando um por um, e a fila atrás, só protestando: “Ô cobrador! Ó essa roleta aê!”
Dar mole com o guarda-chuva também não era aconselhável. Picávamos quilos de papel e enfiávamos entre as palhetinhas do bicho. Quando na rua, o incauto abria o guarda-chuva, virava bailarino de frevo sem querer, debaixo de uma chuva de confete.
*


Tinha um cara no setor que, um dia chegou e tirou os sapatos e impregnando o ar com um chulé monumental. Aquela inhaca matava gambá na curva. O pé do cara deveria ser registrado na ONU como arma química de destruição em massa! Manja incêndio na fábrica de queijo gorgonzola? Pois é. E não adiantou protestar, o mané disse que a gente estava exagerando. Escolhemos um voluntário para surrupiar um pé de sapato daquele fedorento. Deu tudo certo. O indivíduo quando descobriu, implorou para que devolvêssemos. E olha, até onde eu sei, não devolveram, não. O cara voltou pra casa com um pé descalço, empestando a humanidade com aquele fedor de urubu com inhame.
*
Poucos anos depois de eu ter sido admitido (e isso aconteceu num tempo mais antigo que os rascunhos da Bíblia...), me deram um cargo de chefe de equipe. E eu montei o meu grupo com esses elementos. Eu era o chefe mais esculhambado da paróquia. Sacaneava todo mundo e todo mundo me sacaneava. Mas, curiosamente, quando eu falava: “Gente, agora é sério”, nenhuma outra equipe rendia como aquela! E quando eu tinha que chamar alguém na chincha por ter cometido excessos, falava na boa e a pessoa compreendia e me dava razão. Nunca tive problemas com nenhum deles.
*


Um dos componentes do meu grupo era o “Cristo” da turma. Vamos chamá-lo de Osmar. Pois é. O cara era tímido pra caramba. Bom de trabalho, talvez fosse o meu melhor funcionário. Super simpático, agüentava todas as brincadeiras que a gente fazia com ele. Não tínhamos como não gozar daquele cara! A postura dele ao andar praticamente o transformava em um personagem cubista do Picasso. Ele era curvo e empenado prum lado. Eu fiz uma música pra ele, pra ser cantada com a melodia de “Paisagem da janela”, do Beto Guedes. Era ele chegar e a gente cantava: “Seu andar é lateral...Parece um zumbi...” E o pior é que ele ria!
*
Não satisfeitos em cantar paródias pro cara, eu e outros espíritos sem luz resolvemos criar uma “história” pra ele. Inventamos que ele só sentia prazer sexual se estivesse fantasiado de Cavaleiro Negro, aquele justiceiro de gibi de faroeste.
*


Ficávamos contando essa história pro setor inteiro. Obviamente, o Osmar ganhou o apelido de Cavaleiro Negro! E se ele tivesse algum interesse em alguma das moças, que esquecesse. Nenhuma toparia nada com ele. O Osmar até se engraçou com uma, que foi logo avisando: “O quê? Nem morta! Ele pula de Cavaleiro Negro na minha frente e eu nunca mais vou ter concentração pra fazer sexo na minha vida!”
Não houve jeito de convencer a moça de que aquilo era inventado por um bando de canalhas. Não teve acordo.
*


Mas a sacanagem não parou aí. Um dos rapazes, que devia ter na cabeça o que o gato enterra, ficou em casa um dia, recortando cartolinas em forma de duas esporas. E o bicho foi caprichoso! Recortou com todo o cuidado, pintou na cor de prata e levou pro setor. Perto do final do expediente, ele foi devagarzinho, pelas costas até o Osmar. Prendeu as esporas na parte de trás do sapato dele com fita adesiva sem ele perceber. Pronto!
*
Na saída, organizamos um grupo para segui-lo, pois queríamos saber até onde ele iria daquele jeito. Lá ia o Osmar, como se fosse um peão pronto para montar no touro Bandido e a gente atrás. O negócio estava organizado. Tinha uma tropa de choque pronta para impedir que alguém o avisasse. Ele andando na direção da estação de trem e nós o seguindo, segurando o riso. Teve uma hora que quase a vaca foi pro brejo. Um do grupo não se agüentou e começou a cantar alto: “Ó, Suzanaaaa...Não chore por mim!” Primeiro rimos. Depois quase linchamos o cara. Depois rimos de novo.
*
Na estação, vem o trem. Todos entram. A tensão estava no ar. Será que ele iria de caubói urbano até sua casa? Olha, faltou pouco.
Ele só percebeu quando, no vagão, um menino olhava pra ele, olhava pro sapato dele; olhava pra ele, olhava pro sapato dele. Até que cutucou a senhora ao lado e falou bem alto:
“Manhê! Eu quero um brinquedinho igual ao desse moço!
Não sei como o trem não descarrilou. A explosão de gargalhadas foi sentida até no primeiro vagão.
*
Definitivamente, o meu passado me condena...

PteroMarco

::: Relembrado por Jack 8:00 AM

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Sábado, Março 22, 2008

Páscoa




Vou relembrar com vocês como era minha Páscoa quando criança. Estudei em colégio de freiras, até o quarto ano primário. Então a Páscoa cristã era realmente um acontecimento nessa escola. Assistíamos a filmes da Paixão de Cristo, no anfiteatro. Em preto e branco, e como chorávamos... Fazíamos também encenação teatral. Até coelho eu fui uma vez numa peça dessa época. Uma família de coelhos numa fábrica de ovos de Páscoa. Pena não ter fotos para postar. Uma graça! Os nossos feriados iam da quinta a segunda-feira: pra quem não se lembra, comemorávamos a Pascoela nesse dia. Ah! Na semana anterior, tínhamos o Domingo de Ramos, onde ganhávamos ramos de palmas. E guardávamos até o ano seguinte. Os meus ficavam junto com meu quadrinho da primeira comunhão.

Domingo, papai escondia ovinhos pela casa toda. Ele comprava dos pequeninos pra deixar a gente completamente maluco, de tanto procurar. E da Kopenhagen, numa época que ainda se podia comprar deles... Era uma farra maravilhosa. Ele escondia nos vasos, debaixo do travesseiro, atrás dos móveis, dentro dos enfeites da minha mãe. Uma delícia!

Ainda fizemos um pouco disso com nossos filhos. Nada que tenha sido bom pra gente, deixamos de fazer para eles. Não que fosse algo assim tipo tradição, não. Porque era mesmo muito divertido! Ensinamos também o sentido da Páscoa. Algo como o ovo significar o renascimento. Mas nada muito contundente ou ameaçador.

Hoje em dia isso tudo virou uma coisa extremamente comercial. O que se vê são supermercados abarrotados de chocolate. Mais de um mês antes... A família toda compra ovos para as crianças se entupirem de tanto comer. Algumas passam até mal. Aqui em casa costumavam durar mais de um mês. Eles não davam conta de tanto chocolate. A gente é que tinha que ajudar a dar um fim.

Boa Páscoa pra todos vocês!

::: Relembrado por Jack 7:44 AM

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Sábado, Março 15, 2008

Isto Era Cinerama


Foi lançado nesta sexta-feira, em rede nacional aqui nos Estados Unidos o filme Grand Canyon Adventure, narrado por Robert Redford com música de Dave Matthews Band. É mais um filme no sistema IMAX 3D, aquela da tela gigantesca que tem um tamanho dez vezes maior do que de uma tela que projeta os filmes normais de 35mm. Em rede nacional sim, mas em somente 40 cinemas especiais, equipados para exibir os filmes nesse sistema. As salas que apresentam este tipo de filmes, misto de filme educacional, científico e ou que tratam de problemas ambientais estão localizados em grandes museus espalhados pelo país. Não conseguiu ainda atrair uma produtora e distribuidora em escala comercial mas isto pode mudar pois Imax e AMC estão planejando abrir cerca de 100 cinemas e Spielberg e Jackson estão planejando filmar em 3D para serem exibidos nessa rede.

Ao ler essa história de telas gigantescas fui levado de volta quase 50 anos no tempo. Em 1959 foi inaugurado em São Paulo o cine Comodoro. Esta sala seria a única no Brasil, a exibir filmes no formato Cinerama, o mais novo avanço cinematográfico, que prometia revolucionar o mundo das diversões.

Comodoro ou Cinerama ficava na São João quase na esquina com a Duque de Caxias.A primeira fita que vi ali, de que me lembro vagamente, se chamava Isto É Cinerama. O filme começava com o criador do sistema, numa tela normal, explicando para a platéia as qualidades do seu sistema e de repente as cortinas se abriam e a tela aumentava e não parava de aumentar! A gigantesca tela era curvada, onde se projetavam imagens vinda de três projetores sincronizados. O resultado era uma enorme imagem que dava a sensação que você estava ali dentro da cena, principalmente se você estivesse sentado nas primeiras fileiras. Uma coisa incrível! Os filmes mostravam as possibilidades e os sensacionais efeitos desse sistema, e eram principalmente sobre viagens a lugares famosos ou exóticos tal como acontece hoje em dia com o Imax, respeitados as diferenças tecnológicas.

Na cena com esquiadores aquáticos na Flórida só faltava sentir as gotas de água sendo espirrados na platéia. Sentia um frio na barriga e as minhas mãos suavam quando descia a montanha russa num parque de diversões de Nova Iorque ou quando dávamos uma rasante passando por montanhas ou ao passar por cima de um grande desfiladeiro ou canyon. Acho que fizeram poucos filmes, com roteiro e artistas de verdade, nesse sistema. A Conquista do Oeste foi um deles, que passou ali no Cinerama por muito tempo.

Era tudo ótimo, inclusive o som estereofônico. Tinha somente um pequeno problema, que depois de certo tempo incomodava paca. O problema era exatamente aqueles três projetores, que mesmo bem sincronizados não conseguiam eliminar as emendas, e ficavam duas listras verticais na telona, durante toda a duração do filme. A foto que ilustra esse post mostra esse pequeno problema, apesar de ser quase imperceptível nesta pequena imagem.

Depois de algum tempo, o Comodoro começou a exibir filmes em sistema Todd-AO (combinação dos nomes Todd e American Optical), em 70 mm utilizando a mesma tela curva procurando replicar o efeito de cinerama, mas não era a mesma coisa. Mas era mais suave para as minhas vistas sem as emendas verticais do Cinerama, pois somente um projetor era utilizado. Os filmes exibidos no Comodoro ficavam em cartaz uma eternidade. Afinal era uma atração turística da cidade. Vinha gente de todo o Brasil para ver essa novidade. Depois que outras grandes cidades e outras salas começaram a exibir os filmes em 70mm o Comodoro perdeu um pouco da sua graça, apesar de ter a maior tela.

O pessoal da geração jurássica deve ter visto ali A Volta ao Mundo em 80 Dias, Ben Hur, Cleopatra, Dr Jivago, A Filha de Ryan, A Noviça Rebelde, Grease, Terremoto (com o sistema de som que se chamava Sensurround que estremecia todo o prédio) e alguns outros mais. Um filme entretanto, Fuga do Século 23 (Logan’s Run) ficou na minha memória. Foi onde fui apresentado à panteríssima Farrah Fawcett, que fazia apenas uma ponta, bem novinha, com aquele penteado esvoaçante que iria ser a marca registrada dos anos 70, e linda de morrer, aliás literalmente ... Infelizmente essa lista de filmes está sujeita a futuras e eventuais correções pois surgiu aleatoriamente dentro da minha cachola e posso estar misturando salas de cinema aí, pois o cine Copan mostrou muitos filmes em 70mm também...

Quando o Comodoro abriu em 1959, ainda se costumava ir ao cinema todo elegante de terno e gravata, como se estivéssemos indo ao Teatro Municipal. O centro de São Paulo era uma cinelândia com vários cinemas de luxo (naquela época, acreditem!), como o Windsor, Ipiranga, Marabá, Marrocos, o Ouro ...

Tinha um outro cinema, que ficava do outro lado da rua onde ficava o Comodoro. Um cinema muito estranho, coisa do outro mundo. Você que é de São Paulo ou que passou férias em São Paulo, se lembra dessa sala? Sim, o Cine Espacial! Era um cinema circular, e não sei se tinha três projetores, mas ficava ou ficavam bem no meio, projetando as mesmas imagens para três telas, posicionadas mais pra cima do que nos cinemas normais e equidistantes um do outro, ao redor da sala. Você ficava de frente para outras pessoas, que viam o filme que era projetado atrás de você e vice versa. Você perdia um pouco de privacidade e não se podia namorar à vontade... e talvez por isso, só fui uma única vez. Afinal vou ao cinema para ver filmes, não para ser visto... E nem lembro do título do filme que assisti, mas era um italiano. Ou teria sido um francês?

O Comodoro parece que foi demolido ou está para ser demolido, infelizmente. Aqui nos Estados Unidos, um ricaço resolveu botar um pouquinho da sua grana para salvar da demolição e preservar um cinerama em Seatle. Continua exibindo filmes para o deleite dos amantes do cinema espetacular desde 1999. Se você estiver planejando uma viagem para a costa oeste, dê uma checada nos dias e horário de exibições especiais aqui.

Foto tirada daqui. E aqui neste pedaço tem 300 fotos referentes a Cinerama.

::: Relembrado por gaijin4ever 7:00 AM

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Domingo, Março 09, 2008

DAGUERREANDO


Louis-Jacques-Mandré Daguerre (1787-1851)


Nos idos anos 50, quando eu comecei a me entender por gente e ainda não tínhamos televisão, o meu passatempo predileto era ficar à noite com meu pai, fotógrafo amador, no seu laboratório improvisado na copa-cozinha.
A mesa virava uma bancada e todas as janelas eram cuidadosamente cobertas com pano preto, num ritual que demorava alguns minutos. Em seguida a caixa de papel fotográfico e os vários frascos de produtos químicos, reveladores e fixadores, eram posicionados ao lado de uma pequena balança de precisão e meu pai, meticulosamente, preparava as misturas. Não era uma tarefa simples... Hoje em dia já vem tudo pronto, é muito mais fácil.
E eu, já devidamente instruído com uma série de “não mexa nisso e não ponha o dedo naquilo”, me posicionava em uma quina da mesa e observava toda aquela preparação, quase imóvel, num silêncio que eu raramente quebrava com alguma pergunta.
Depois a luz era apagada e, na total escuridão, acendia-se uma tênue luz vermelha.
A magia daquelas imagens aparecendo no papel branco, imerso em líquidos de cheiro azedo, me encantava.
Veio daí o meu gosto por fotografia.
Eu nunca quis me aventurar nas artes da revelação, mas sempre gostei de fotografar.
Meu pai possuía uma Rolleiflex 2.8 que eu, evidentemente, não podia usar. Vendeu-a há alguns anos para um colecionador que a levou para a Espanha, contou-me depois.
Ainda nos anos 60, ganhei a minha primeira câmera, uma Kodak Hawkeye Instamatic, igualzinha à da foto abaixo, e que eu ainda mantinha guardada há bem pouco tempo.

Não podia haver uma máquina mais simples. A Kodak havia criado um formato de filme, chamado “126”, que vinha embutido em um cartucho. Este se encaixava de forma simples e intuitiva no corpo da câmera que possuía uma pequena janela na parte de trás por onde víamos o filme correr e o número da foto que estava sendo capturada. O filme, de 12 ou 24 poses, avançava mecanicamente até o último negativo passar para o outro lado do cartucho que era então retirado e levado para a revelação.
Não havia nenhum ajuste possível além do que acionava o flash. As fotos tiradas ao ar livre eram de qualidade razoável, mas quando se tratava de ambientes com pouca luz a história era outra...
Os flashes eram pequenos cubos com uma lâmpada embutida em cada face lateral e foram comercializados aqui no Brasil com o nome de Magicube. Como o modelo da minha pequena Kodak era muito simples, ainda necessitava de um adaptador na parte de cima para encaixar os cubinhos. Detalhe: cada lâmpada do flash permitia apenas uma foto, pois literalmente estourava ao ser acionada, e era necessário girar o cubo para a foto seguinte. Assim, cada cubo era suficiente para apenas quatro fotos. Eram vendidos em caixas com três unidades como na ilustração.

Apesar da precariedade da minha Hawkeye, ela me prestou bons serviços durante mais de quinze anos. Somente em 1981 eu comprei aquela que foi a melhor câmera que já tive o prazer de usar, uma Nikon EM, que guardo até hoje. Era o modelo menor e mais barato que a Nippon Kogaku já havia fabricado até então, mas ainda assim era, para mim, um salto fantástico em termos de qualidade. Feita para iniciantes, compacta, 35 mm, com lentes intercambiáveis SLR... Foi amor à primeira vista.
Nunca gastei tanto em filmes, revelações e acessórios como naquela época. Comprei o flash e o motor drive originais, tele-converter, filtros, pára-sol, tripé, numa empolgação sem limites.
Só que, com o tempo, fui percebendo os inconvenientes de se ter uma máquina desse tipo. Para colocar tudo em funcionamento eram necessárias dez pilhas tamanho AAA, quatro para o flash e seis para o motor-drive, e mais duas minúsculas baterias, menores que moedas de 1 centavo, para os circuitos da câmera. Mas o principal era o trabalho que dava para transportar, e montar, toda aquela parafernália. Corpo da câmera, lente, filtros, flash, motor, rolos de filme, pilhas, tudo dentro de uma bolsa térmica que ficava pesada... E, eventualmente, ainda levava o tripé. Depois tira a câmera da bolsa, coloca lente, coloca um filtro, testa, troca o filtro, ajusta a abertura, velocidade, foco, monta o tripé...
- Olha o passarinho...
Que passarinho?! Todo mundo já tinha debandado.
Parei! Eu queria a simplicidade de volta.
Comprei então, em 1994, uma Olympus Stylus com zoom, amadora, bem pequena, toda automática, com lente, flash e motor embutidos e uma única bateria movendo tudo, muito prática. Fazia excelentes fotos de aniversário e já estava ótimo!
Recentemente caí em tentação e comprei uma Sony digital. A idéia era me livrar dos custos de filmes e revelações. Isso eu consegui, mas algo se perdeu nesse salto da tecnologia.
Não há mais o charme das fotos tradicionais. Aquela preparação quase ritual, de colocar a melhor roupa, de fazer pose, de procurar a melhor luz... Tudo para poupar os negativos de fotos mal tiradas. Tinha que haver capricho.
Não há essa preocupação na foto digital. Não gostou, deleta.
Perdeu-se o encanto e a magia daquelas imagens surgindo no papel imerso nas bacias de revelador...
É a evolução cobrando o seu preço.

- Olha o passarinho!


Lado a lado, a Nikon EM e a Olympus Stylus Zoom.
Foto tirada com a Sony digital.


Imagem da Kodak Hawkeye tirada daqui.

Em tempo: Louis-Jacques-Mandré Daguerre (1787-1851) foi um comerciante e pesquisador francês, tendo sido o primeiro a conseguir uma imagem fixa pela ação direta da luz (1835 - o daguerreótipo). Fonte: Wikipedia

::: Relembrado por Paulo 6:08 PM

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