Seqüência dos Dinos


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Sítio Arqueológico



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"Se rugas têm de ser escritas na testa, não permita que se inscrevam no coração. O espírito jamais deve envelhecer" James Abram Garfield

Segunda-feira, Janeiro 25, 2010
Feliz aniversário São Paulo!
Aproveitando a oportunidade, vou colocar mais uma vez um texto do meu irmão Jiro, que ele havia escrito há alguns anos para o caderno Programe-se da Folha da Tarde. Espero que gostem.



Carta a São Paulo





Fui chegando aos poucos a São Paulo. Porque São Paulo não é uma, são muitas. A sedução foi total, de uma vez, mas o convívio foi se desenvolvendo aos poucos.

Eu tinha seis anos quando desci na Estação da Luz e tive minha primeira experiência de São Paulo. A cidade era uma festa, muita agitação, muitas luzes. Era o seu quarto centenário e Mário Zan tocava direto nas rádios. O parque do Ibirapuera cheio de bandeiras. Essa imagem de festa foi muito forte. Primeiro, porque foi quando descobri que o mundo era bem maior que Duartina, minha cidade. Depois porque essa imagem festiva de São Paulo nunca mais me deixou, mesmo nesse quadro bravo de recessão e no período mais brutal da ditadura.

Na sequência, vieram outras experiências de São Paulo. Praticamente passava todas as férias escolares aqui, fazendo um percurso contrário ao que vemos hoje, quando a grande maioria deixa a cidade em qualquer feriado prolongado. São Paulo era movida a bondes, e eu, a cinema e sorvete. Aqui a gente assistia a filmes que só chegariam a Duartina anos mais tarde. Ia muito ao cine Trianon (hoje Belas Artes) e os cinemas do centro eram suntuosos, muito deles ainda exigindo paletó e gravata. Havia a Simbad, uma sorveteria na rua Augusta, junto à Paulista, a Confeitaria Vienense, no centro, com uma variedade de sorvetes que meus olhos caipiras nunca tinham visto.

Com 18 anos, vim definitivamente para cá. Banco do Brasil na Penha, direito no largo de São Francisco e muita passeata pelas ruas do centro, 1º. de Maio de 68 , na praça da Sé, paus e pedras voavam enquanto o governador Sodré corria escadaria acima para dentro da catedral e, em seguida, Plínio Marcos discursava no palanque. Havia o Ponto de Encontro na galeria Metrópole, onde Eduardo Alves da Costa declamava seu poema que, mais tarde, muitos inventaram ser de Maiacovski. Havia o Teatro de Arena, o Oficina, o Ruth Escobar, a "Roda Viva" e "O Balcão", de Genet. O teatro era um belíssimo comício. Havia já o Redondo, junto ao Arena, o sempre Brahma, no famoso cruzamento, o Ponto Chic, no Paissandu, o restaurante A.P.I., na Liberdade. Tomávamos muita cerveja, mas, na época, também tomávamos faculdades.

Porém, enquanto desapareciam os bondes, foram aparecendo a 23 de Maio, a Radial Leste, as Marginais, e a geografia de São Paulo nuncamais foi a mesma. Com isso, tudo cresceu mais ainda. A miséria, os shopping centers, a falta de moradias, restaurante de todos os tipos, o congestionamento no trânsito, a poluição. Mas do mirante do Alto de Pinheiros ou das janelas do São Paulo Press Center, na Faria Lima, ainda se pode ver o mais lindo pôr-de-sol, num raro momento de harmonia da poluição com a natureza.

Para mim, São Paulo permanece basicamente a mesma. Como alguém que só vê os outros se transformarem porque se vê - a si próprio - por dentro, assim também vejo São Paulo: por dentro. Por dentro de mim. Talvez por isso, no intervalo de algum show dentro do Ópera Room, ainda possa sentir o barulho de algum bonde passando pela Teodoro Sampaio, ali perto.

Um dia, estava conversando com um brazilianista amigo sobre essa dificuldade de se pensar uma única imagem para esta São Paulo tão múltipla, após sair da USP e parar no Senzala para uma cerveja. Estimulado por alguns copos e pela imagem do Ceboloão da praça Panamericana, em frente, me ocorreu essa imagem de São Paulo. Uma grande cebola.

Como uma grande cebola, São Paulo é feita de camadas superpostas, em círculos. Quem já se perdeu no trânsito de São Paulo, deve ter tido alguma vez a sensação de estar andando em círculos. Além disso, São Paulo tem vias superpostas, pessoas superpostas, poderes superpostos, misérias superpostas, lazeres superpostos. Tudo isso tem um sabor bem peculiar de uma cidade que sempre se antecipou ao planejamento. E tudo isso, às vezes nos faz chorar. Como uma grande cebola. Ou Big Onion, se for para exportação. Como gosto de cebola, é uma imagem gostosa que acabou ficando em mim. Uma imagem que fui criando desde a minha primeira experiência de São Paulo. São Paulo nunca perde a capacidade de me espantar e surpreender. É disso que eu mais gosto. Só não gosto muito do seu nome. Sempre achei que deveria se chamar Corínthians.

Jiro Takahashi além de ser meu irmão, é editor, tradutor e professor de Literatura e disciplinas correlatas no Centro Universitário Ibero-Americano (Unibero), em São Paulo.
Discordo dele quanto ao nome da cidade, acho que deveria ficar como São Paulo, acrescido de FC, assim como Washington DC...

Foto daqui


::: Relembrado por gaijin4ever 8:16 AM

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Domingo, Janeiro 10, 2010

Dia de Reis




Embora eu tenha prometido que continuaria a escrever sobre carros antigos, resolvi postar um texto sobre os Reis Magos. Afinal, nesta semana, mais especificamente no dia 6 de janeiro, foi comemorado o dia dos Três Reis Magos que saíram do Oriente, seguiram uma estrela, para levar presentes para alguém que as profecias diziam ser um futuro grande rei que estava nascendo.
E em muitos lugares do mundo estão louvando os Três Reis Magos nesta data.
O curioso é que pelo que está no Evangelho de Mateus, no Capítulo 2, diz que “eis que uns sábios vieram do Oriente a Jerusalém”. Logo, a Bíblia não diz que eram três, nem que eram reis, nem que eram magos. E então por que, pelas barbas de Abraaão, o povo diz que eram três reis magos e ainda lhes dão os nomes de Melchior, Baltasar e Gaspar?
Pois é. Tradição é tradição, não é?
Talvez por conta dos presentes que eles levaram: ouro, incenso e mirra – três presentes, imaginou-se que cada um levou um deles e não apareceu ninguém para perguntar: “mas e se eram só dois sábios e ambos levaram os mesmos presentes? E se eram quatro? Cinco? Um porrilhão de sábios, todos tendo a mesma idéia de dar os mesmos presentes, ou por só terem encontrado uma loja aberta e que só tinha estes produtos e com o vendedor de má vontade dizendo: “vai querer? Então leva que eu já estou fechando o estabelecimento...”?
Bem... Acontece que houve um certo monge nascido na atual Inglaterra, chamado Beda (672-735), que escreveu um texto em que dava a ficha de cada “rei mago”: Melchior era um velhinho de setenta anos, que tinha vindo de Ur, na Caldéia; Gaspar era um rapagão de 20 anos, vindo das montanhas próximas ao Mar Cáspio (onde hoje está a Rússia, o Azerbaijão, por ali); e Baltasar era mouro, moreno bem escuro, que tinha saído da Arábia. Ele os descreveu como reis até por conta dos nomes que tinham: Melchior = “aquele que vai inspecionar”; Gaspar = “meu rei é luz”; Baltasar = “Deus manifesta o rei”. De onde o Beda tirou tudo isso, só Deus sabe. E isso 700 anos depois da passagem dos tais sábios pela Palestina! Do Google é que não foi...

Os presentes que os sábios levaram tinham um significado, segundo os estudiosos: ouro era o presente digno de um rei; incenso era oferecido a uma divindade e mirra era uma resina usada para embalsamamento de corpos, o que significava imortalidade.
Daí surgiram os presentes de Natal. Só que ninguém dá nada disso: a moçada prefere uma calça da Dimpus, uma camisa Lacoste ou um Playstation topo de linha... Bem, isso é melhor que tirar o chefe da seção no amigo oculto e dar a ele uma gravata ou dois pares de meia...
O dia 6 de janeiro foi escolhido, não por que fosse o dia em que os moços apareceram onde Jesus estava. Hoje se sabe que Cristo não nasceu no dia 25 de dezembro. A Igreja decretou este dia só para sacanear os pagãos que comemoravam o solstício de inverno justo neste dia, promovendo festas onde rolava sexo, drogas e músicas de alaúde. Segundo os estudiosos, Jesus deve ter nascido entre setembro e outubro. E, pelo relato no livro de Mateus, eles chegaram alguns dias depois do pirralho ter nascido, daí, calcularam “mais ou menos” o dia 6 de janeiro, a partir do 25 de dezembro estipulado. Como se vê, o que houve de chute nesta história do Natal daria para o Pelé fazer outros mil gols...
No dia de Reis a gente costuma fazer uma simpatia para não faltar dinheiro na carteira: chupamos três caroços de romã dizendo para cada caroço a frase “Melchior, Baltasar e Gaspar, passem o dinheiro para cá!”. Colocamos os carocinhos chupados numa nota de dinheiro, dobramos bem dobradinho e a colocamos na carteira até o ano seguinte, quando fazemos a mesma simpatia mas damos o dinheiro que estava dobradinho para um pobre.

Por essa época tem também uma das manifestações culturais populares que mais gosto: a Folia de Reis.
Onde fui criado tinha muito! Eu próprio já toquei tambor em Folia de Reis e já fui palhaço. Lembro até de um versinho que eu dizia, no meio daquele monte de coisa que a gente falava. Era assim:

“Eu vi uma briga feia
Por detrás da bananeira
O seu pai morreu de susto
E sua mãe de ca...tapora!”


Êta nós!

PteroMarco

::: Relembrado por Jack 4:31 PM

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Segunda-feira, Janeiro 04, 2010

A romã





Reza a lenda que essa frutinha traz dinheiro e prosperidade. Por alguns anos da minha juventude, não é bem que acreditei, mas... Minha avó materna comprava a dita cuja entre a semana do Natal e a do Reveillon. E nos fazia comê-las. Muito azedinha por sinal. E tínhamos também que separar algumas sementes. Não me recordo quantas, mas a gente fazia sem questionar. Ainda mais que ela dizia que era pra trazer sorte e dinheiro. Imaginem! A gente obedecia e pronto... Sem mais delongas.

Fazia depois uma espécie de saquinho de tecido, colocava as sementes secas dentro e costurava com linha e agulha. Uma por uma, e na nossa presença. Pois cada qual tinha que ficar com as sementinhas da romã que havia comido. E cada qual de seus netos e filhas guardaria na carteira pelos próximos 365 dias. Até o próximo final de ano, quando ela iria substituir o pacotinho.

Interessante agora lembrar disso. Ninguém da família pegou a tradição ou a mania da minha avó, a velhinha mais linda e querida do mundo! Quem sabe não sobrou pra mim?

Feliz 2010 a todos os leitores deste querido Playground. Saúde, prosperidade e paz pra todos nós.

Jurassic Jack

::: Relembrado por Jack 10:41 AM

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Terça-feira, Dezembro 29, 2009

Adeus Ano Velho, Feliz Ano Novo



Qual o seu programa para o reveillon? Nem todos celebram da mesma forma, como vim descobrir aqui nos States. Principalmente aqui no meio do nada onde nada acontece. O dia 31 de dezembro parece ser apenas mais uma data no calendário. O dia primeiro, a mesma coisa. Nada parecido com o jeito brasileiro.

E noutro lado do planeta, no Japão, da mesma forma, o reveillon parece que praticamente não existe. As famílias ficam em frente da tevê na véspera de ano vendo um programa tradicional de desafio musical entre cantores e grupos mais famosos do país, divididos em dois grupos, o vermelho, dos homens contra o branco, das mulheres. O ano novo, o dia primeiro é mais importante, talvez a data festiva mais importante do calendário nipônico. E celebram a entrada de ano por pelo menos por três dias.

Nós, os nisseis brasileiros tivemos a sorte de poder celebrar, juntando as tradições das duas culturas. Na minha adolescência em Marília, no último dia do ano, íamos aos bailes de reveillon, no Esporte Clube Mariliense. O baile era como outro qualquer até a meia noite. Com a batida da meia noite recebíamos o ano novo, pulando carnaval feito gaijin e abraçando todos aqueles que víamos pela frente. E o carnaval ia até um pouquinho antes do sol raiar.

E no dia seguinte, o primeiro de ano, celebrávamos à moda japonesa. Eu disse sorte? Éramos arrancados da cama um pouquinho depois termos deitado, ainda com os ouvidos zumbindo e com "aquela" ressaca, e os olhos mais fechados do que normalmente, para começar a parte japonesa da celebração. Os amigos se juntavam e íamos de casa em casa para desejar feliz ano novo às famílias que conhecíamos e até algumas que não conhecíamos e ficávamos o suficiente para filar bóia e checar as menininhas. E cada um de nós se esforçava ao máximo para impressionar as mães das meninas-alvo. Afinal, uma palavra favorável delas era meio passo para a próxima etapa, um possível iníco de namoro.

Cada família preparava a comidas com antecedência. Os destaques eram os "omochis" (bolinho de arroz branco, super pegajoso) que podia ser deliciado só ou então dentro de uma sopa de algas e shoyu chamado "ozooni", que é uma tradição ainda hoje seguida pelos descendentes nipônicos, para dar sorte no decorrer do ano. A minha futura sogra era uma cozinheira de mão cheia e uma de suas especialidades era um cozido japonês chamado “nishimê”. Toda essa comida tradicional é chamada de "oseti riori". Algumas famílias preparavam outros pratos típicos de ano novo, como arroz com azuki, um feijãozinho japonês (seki-han), mas também tinhamos empadinha, coxinha, cuscuz, pernil de lombo, brigadeiro, queijadinha, essas coisas que os "brasileiros" comiam. E a ronda durava o dia todo. Comíamos até aquilo fazer bico!

As crianças mais pequenas recebiam um envelope com dinheiro (otoshidama em japonês) dos adultos. O meu tio fotógrafo nos presenteava com tubos de filmes com dinheiro enrolado dentro....

Voltando ao reveillon que está chegando, aqui em casa a parte japonesa do ano novo já está em andamento com o mochi pronto. Independente de como celebramos e atravessamos o ano - comendo lentilhas depois da meia-noite, vestido de branco, uma cuequinha verde-amarela para ter muita saúde e dinheiro (isso pode?), essa é uma época de promessas, esperanças e renovação.

Adeus Ano Velho, Feliz Ano Novo!
Que tudo se realize no ano que vai nascer
Muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender
Para os solteiros sorte no amor, nenhuma esperança perdida
Para os casados nenhuma briga, paz e sossego na vida

Francisco Alves/David Nasser


::: Relembrado por gaijin4ever 12:18 AM

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Terça-feira, Dezembro 22, 2009

BRINQUEDOS


Um movimento anormal de pessoas no shopping, até mesmo para essa época. Lojas apinhadas de gente, praça de alimentação intransitável...
Na casa que vende bacalhau, nozes, castanhas, avelãs e demais guloseimas natalinas, um princípio de confusão na fila... E quase que o bacalhau vira porrete.
Mas a grande algazarra se concentrava mesmo era na loja de brinquedos. Fiquei observando o corre-corre das crianças ensandecidas naqueles corredores repletos de novidades. São tantas as opções que a molecada se confunde, sem saber para onde olhar.
Lembro-me do tempo em que as escolhas eram bem mais simples e limitadas.
As lojas de brinquedos sempre foram uma espécie de “jardim do éden” para a gurizada e, cá entre nós, para alguns adultos também. Mas as escolhas eram mais modestas. Alguns carrinhos de madeira, muitos outros de plástico e alguns de fricção ou com pilhas... Os de controle remoto, com fio, só surgiram bem mais tarde...
Eu me contentava em renovar a cada ano o meu conjunto de “Xerife do Velho Oeste”: duas cartucheiras, dois revólveres prateados de espoleta e uma estrela de lata que se prendia na camisa com um alfinete. Se fossemos adaptar esse conjunto para os dias de hoje a caixa viria com uma pistola Glock, um fuzil AR-15 e um uniforme do BOPE... Mas não seria politicamente correto.
Como eu dizia, a garotada de hoje tem muitas opções e a mais procurada não está nas lojas de brinquedos, mas na de produtos eletrônicos. Os videogames estão beirando a perfeição. Nada mais de cartuchos, hoje os playstations e xboxes da vida só rodam DVD de alta definição.
Mas nem sempre foi assim. No início dos anos oitenta se iniciava no Brasil a febre dos videogames com o inesquecível ATARI. Os consoles eram alimentados por cartuchos que forneciam imagens rudimentares, mas na época eram o máximo!
Como vibrávamos a cada fase ultrapassada! Pais disputavam com os filhos um tempinho no controle do joystick ou disputavam partidas em conjunto e era diversão garantida por horas.
River Raid, Pac-Man, Pitfall, Asteroids, Atlantis, Missile Command… Ô saudades...
E vejam só como são as coisas... Há poucos dias, numa das muitas arrumações da mudança da Cris, encontramos essa caixa do ATARI 2600, guardada entre os pertences dela, com o console em bom estado.




O console está inteirinho!


Detalhe do cartucho.


Raridade! Ainda não testamos, mas se obtivermos sucesso publicarei as fotos com as imagens do jogo na tela da TV.

A todos vocês que nos acompanham aqui no Play e a todos os companheiros “dinos” meus votos de muita PAZ.
UM FELIZ NATAL E UM ANO NOVO PLENO DE REALIZAÇÕES.

::: Relembrado por Paulo 1:39 AM

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Domingo, Dezembro 13, 2009

Carros – um sonho de metal




Recentemente estive numa exposição de carros antigos. Uma verdadeira viagem no tempo!
Minha infância e adolescência também estiveram ligadas a veículos e foi uma enorme alegria para mim rever aquelas máquinas veteranas, mas ainda com muito óleo para queimar. Eu olhava alguns daqueles velhos combatentes de quatro rodas e me vinha uma história à mente.
Como a Rural Wyllis, por exemplo.

Lembro que durante um tempo minha mãe trabalhava no Departamento Nacional de Endemias Rurais, numa unidade mais ou menos distante de onde morávamos, onde tinha um laboratório que fabricava vitaminas e comprimidos para enfrentar malária e outras doenças tropicais. Quando minha mãe me levava para o trabalho, íamos numa Rural como esta da foto.
A bichinha era dura, sacolejava muito, mas era valente toda vida. Não tinha terreno acidentado, nem enlameado. E me embrenhando por estradas improvisadas, passando quase pelo meio de matagais, eu me imaginava um aventureiro, que nem os que lia nos meus gibis.
Um outro carro me fez a saudade bater mais forte: uma velha caminhonete. E aí tem duas lembranças (uma boa e outra ruim) e um alívio. Eu explico.
Tinha uma fábrica de bebidas perto de onde eu morava. Eu até costumava jogar futebol contra o time de garotos patrocinados por ela. Mas às vezes eu ajudava a um amigo que trabalhava lá a carregar e descarregar uma caminhonete como essa Chevrolet da foto com caixas de produtos.

E em muitas vezes, eu andava na boléia, recebendo o vento no rosto e a inveja de outros amigos que me viam ali, como uma espécie de caubói montado naquele bravio touro de metal. Isso era bom.
A lembrança ruim e o conseqüente alívio, foi quando aconteceu um acidente com a caminhonete e eu não estava junto, graças ao bom Deus. Numa curva mal feita, ela virou e meu amigo que estava na cabine, com o braço direito para fora, ficou no prejuízo. Quase que ele perdeu o braço. Teve que fazer vários enxertos e para sempre passou a andar com o braço enfaixado de ataduras, o que lhe valeu o apelido de “Asa branca”. O povo daquela época não perdoava nada...
Mas falei aqui de andar na boléia. E em futebol também. Pois num caminhão igual a este aí do lado, o time em que eu jogava, volta e meia, ia para uns cantões distantes para jogar contra times locais.

Eita, que esse Mercedão era o “ônibus” de viagem do fabuloso time da Sociedade Esportiva Codajás! Íamos amontoados na boléia, como se estivéssemos num pau-de-arara, cantando sambas, musiquinhas sacanas de duplo sentido, ou de um sentido só, paródias e o hino do clube, do qual só lembro o refrão: “Ê calunga... Esse time não pega macumba, calunga...”
Perdendo ou ganhando, voltávamos também na maior festa. Especialmente os adultos do time, que, depois do jogo, tomavam cerveja, cachaça, vermuth, gin, água rás, ácido muriático, o que quer que estivesse em estado líquido...
Vi na exposição um outro carro que me fez sorrir, relembrando com saudades meu tempo de menino.
Esse velho sedan Chevrolet 1952.
Quando eu era menino, os taxis eram desse tipo, às vezes só variando a marca: Buick, Hudson, Oldsmobile... Mas o modelo de todos era desse jeito aí da foto.

Esse carro numa subida era um colosso! Acho difícil que um modelo até 2.0 de hoje o superasse em desempenho. Tinha um inconveniente: bebia feito o diabo! Mas andar num bicho desse era uma tranqüilidade. A gente nem ouvia barulho do motor. Uma pessoa da minha família teve um carrão desse e eu adorava andar nele.
Mas tem uma história interessante na minha adolescência envolvendo um carro semelhante a este. Certa vez, o dono de um deste abandonou o carro próximo a um terreno baldio. Não demorou muito e depenaram todas as partes do carro que fossem de alumínio, metal e cobre, para vender no ferro-velho. Praticamente, sobrou só a carcaça e os bancos inteiriços. Sim, os bancos traseiro e dianteiro pareciam um sofá. Um dia, algum débil mental do meu grupo de amigos desenhou uma mulher pelada no banco dianteiro. E na altura da... como dizer... digamos, da “zona do agrião”, ele fez um furo, coincidentemente no centro de uma das molas do banco. E como a moçada do meu tempo não tinha as facilidades que os jovens de hoje tem para dar vazão aos hormônios em ebulição, visto que a mulherada do meu tempo fazia um jogo duro danado, a solução criativa era fazer sexo com o banco do Chevrolet. Eu nunca topei, pois tinha medo do meu pinto ficar preso nas molas. Mas quando a novidade foi lançada, tinha até fila para se aliviar na mulher desenhada do banco do Chevrolet 1952. Quando eu passava por perto, na direção do campo de futebol, se eu via o carro se movendo assim, de cima para baixo em movimentos regulares, já sabia que tinha menino ali, tirando o atraso. E tome polca!
Outros carros da exposição me trouxeram boas lembranças. O post já está um pouco longo e por isso fico por aqui. No próximo mês, conto mais sobre essas máquinas maravilhosas e as boas recordações que elas me trouxeram.

PteroMarco

::: Relembrado por Jack 6:16 PM

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Segunda-feira, Dezembro 07, 2009

O bailinho




Bananassauro me deu o mote semana passada. Bailinhos no meu tempo de mocinha eram praticamente a única balada que conhecíamos. Pode falar, pensar ou comentar, eu sei: esse dia já se vai muito longe...

Tenho uma amiga (sim, até hoje) que morava num apartamento tipo casa. Ou seja: garagens comuns nos fundos, além da caixa d' água. A gente se reunia lá pra dançar e paquerar os meninos. Por isso eram amistosamente conhecidos como os “bailinhos da caixa d' água”.

Era assim algo bem básico: os meninos levavam os refrigerantes. As meninas os salgados e/ou os doces. Tinha também a famosa dança da vassoura: quem ficava com a dita cuja, podia escolher o par. Era só dar a vassoura pra bruxa que estava dançando com nosso amado. A gente podia até escolher o garoto... E era muito bom poder tirar aquela “casquinha”!

O som era mono (um canal e uma caixa de som somente), porque som estéreo ainda estava longe de ser inventado. E o repertório com certeza vale outro post.

Colocávamos nossa melhor roupa para impressionar alguém especial ou somente pra passar uma agradável tarde de sábado. Dançar junto ou mesmo separado, chacoalhando o esqueleto. Sem baderna, bebedeira ou confusão.

Algumas poucas expressões que faziam parte deste universo dançante:

Chá de cadeira: quando ninguém lhe tirava pra dançar, e você ficava literalmente sentada o tempo todo;

Tábua: quando você não queria de jeito nenhum dançar com quem estava lhe convidando.

Alguém ainda se lembra de mais algum detalhe? Dinossauro: atire a primeira pedra!

Jurassic Jack

::: Relembrado por Jack 7:44 AM

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Segunda-feira, Novembro 30, 2009

Bailinhos e baladas



Quando éramos baby dinossauros, a nossa vida social incluia brincadeiras dançantes, bate-coxas, bailes, domingueiras, arrasta-pés ou outro nome qualquer que se dava para essa atividade física, aeróbica e social de nos movimentarmos ao som de uma música em parceria com uma pessoa do sexo oposto.

O som podia ser um Ray Coniff ou Perez Prado em LPs, na garagem ou na sala da casa de uma amiga, ou então nos salões de um clube. Se fosse um baile de formatura ou de calouros, aí o som era ao vivo com Orquestra ou conjuntos como os de Nelson de Tupã, Continental de Jaú, Marajoara de Bauru, para nós do interior ou Silvio Mazzuca, Severino Araújo, Simonetti na Capital. Um pouquinho mais tarde surgiram conjuntos como Super Som T.A. ou Modern Tropical Quintet, com menos componentes, mas animando os eventos com a mesma energia. Em São Paulo, os lugares mais populares para esses bailes eram o E.C. Pinheiros, Circulo Militar, Club Homs, Casa de Portugal. Sempre havia um amigo ou amiga, ou algum amigo do vizinho da tia de um conhecido se formando ou se calourando para conseguirmos um convite.

Terminado o baile ou a brincadeira dançante, acompanhávamos a nova conquista (ou será que éramos conquistados?) até a casa dela de mãos dadas ou não, até o portão. E ficava num papo furado, sem se atrever a um avanço mais direto por causa dos pais dela que estariam espiando pela janela da sala, defendendo com unhas e dentes a pureza da filha e a reputação da família. Toda donzela tinha um pai que era uma fera!

Fico com pena da rapaziada de hoje, que precisam ter sua equipe de guarda costas para frequentar certas baladas, não poder olhar ou admirar uma menina, correndo o risco de ser agredido pelo namorado musculoso ou pelos guarda-costas dele, sem falar que em muitos desses eventos a distribuição de drogas parece ser o principal objetivo... E voltar para casa em seu carro blindado.

Felizmente para nós dinossauros parece que ainda existem várias opções para frequentar os bailes no antigo esquema. E por que os mais jovens não se juntam a nós, já, ao invés de esperar para ficarem velhos para desfrutar o dançar coladinho, bater um papo e conhecer novas pessoas? E sem gritar para ser ouvido pois o som poder ser ensurdecedor para nós, mas com certeza, apenas um sussuro para esses jovens.


Foto, daqui.


::: Relembrado por gaijin4ever 8:31 AM

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Sábado, Novembro 14, 2009

Folhinha do Sagrado Coração de Jesus




Quem é do tempo em que a Cleópatra tinha medo de cobra, como é o nosso caso, há de lembrar da Folhinha do Sagrado Coração de Jesus, editada pela Editora Vozes. Na casa da minha tia, era sagrado: todo início de ano ela estava pendurada na parede do corredor e eu era o encarregado de tirar a pagela (como chamavam cada folha diária do calendário), revelando o dia em que estávamos.
Aliás, no tempo em que eu morei com meus tios, no bairro carioca da Piedade, ela não se chamava “Folhinha”. Era “Almanaque do Sagrado Coração de Jesus”. Isso porque cada pagela trazia diversas informações e curiosidades típicas de almanaque, como o do Capivarol, do Biotônico Fontoura... (já postei aqui texto sobre eles?)

Se alguém quisesse saber informações fundamentais para o nosso cotidiano, como qual o santo do dia (hoje, domingo, 15 de novembro, é dia de Santo Alberto Magno, Bispo e Doutor da Igreja), era só recorrer à Folhinha. Para muita gente, saber o santo da vez era fundamental. Houve época em que famílias colocavam o nome na criança de acordo com o santo do dia. Já conheci um “Eleutério” que se chama assim por ter nascido em 20 de fevereiro, dia do santo com este nome. Atualmente, este hábito está em franco desuso. Se a criança nasce em família, digamos, de poucos recursos financeiros, acaba recebendo nomes como “Jennyfer Chrystyany”, “Wanderglaysson” ou “Máicol”.
Mas a folhinha revela também em que lua estamos, quantos dias do ano já se passaram e quantos faltam para o 365o. Há também, ao longo dos dias, informações sobre educação, dicas de saúde e bem-estar, receitas culinárias, charadas, piadinhas levinhas, como: “Dois litros de leite atravessaram a rua e foram atropelados...Um morreu, o outro não, por quê? Porque um deles era Longa Vida”. Rá, rá...
E tem ainda curiosidades, na linha do “você sabia?”. Lembro que foi numa folhinha do Sagrado Coração que eu aprendi que muitos animais, como o cão, por exemplo, possuem a visão em preto e branco. Contudo, alguns bichos enxergam melhor do que o homem, inclusive conseguem ver uma parte dos raios infravermelhos, que lhes permite caçar durante a noite, já que um corpo emite raios infravermelhos conforme a sua temperatura.
Há, é claro, muitos textos religiosos católicos, trechos da Bíblia etc. E às vezes tem pagela do dia com “pensamentos edificantes” de autores diversos.
A próxima edição da Folhinha será a 71a., o que significa que ela está presente em vários lares desde 1940. Atualmente, a tiragem do calendário já está na casa dos 600 mil exemplares (já foi de mais de um milhão e 200 mil, nos anos 80).
Eu vou adquirir o meu exemplar de 2010, é claro. Só de ver aquela estampa, com a frase “Coração de Jesus abençoai este lar” já me traz boas lembranças de minha infância... Daquele tempo em que as luzes da casa eram acesas às 18h; nós, crianças, tínhamos que pedir a bênção aos mais velhos, tudo ao som de Julio Louzada e com o indefectível copo d’água ao lado do Rádio...

PteroMarco

::: Relembrado por Jack 2:36 PM

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Sábado, Novembro 07, 2009

Jonny Quest





Esta produção da Hanna-Barbera, foi ao ar pela primeira vez na TV americana, pelo canal CBS em 18 de setembro de 1964.

O desenho mostrava as aventuras de um garoto loiro tipicamente americano, chamado Jonny Quest, juntamente com seu pai o cientista Dr. Benton Quest, seu assistente e guarda-costas Roger "Race" Bannon e um garoto hindu chamado Hadji, além do sempre engraçado Bandit, o mascote da turma.

O Dr. Benton Quest era convocado para missões perigosas, a serviço do governo, sempre envolvendo ciência e mistério, além de espionagem. Roger, o guarda-costas, era uma espécie de babá dos meninos, sempre os salvando das enrascadas. Bandit, o cãozinho do grupo, curioso e muito assustado por natureza, era muitas vezes vítima de monstros e animais das selvas.

O desenho se tornou um grande clássico com o passar dos anos e em 1987 ganhou uma nova versão com 13 episódios que não tinham o charme do clássico de 1964.

Em 1996 e 1997 foram gravados novos episódios com um Jonny Quest mais adulto, porém perdeu-se totalmente a personalidade e o estilo da série original, além da mudança do traço dos personagens. O resultado final ficou muito aquém do que se esperava de um desenho com tantos recursos de roteiro como era a antiga série.

A-d-o-r-a-v-a este desenho... Santo Youtube, amém!

Jurassic Jack

::: Relembrado por Jack 7:43 AM

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Sábado, Outubro 31, 2009

WWW.West, James West





Quando a maravilhosa Ursula Andress saiu toda molhada das águas verdes do Caribe naquele biquini branco no primeiro filme do James Bond em 1963, ninguém imaginava o avalanche de filmes e seriados de cinema que invadiria todo o planeta depois disso.

Teve coisas sérias e dark como os de Harry Palmer (interpretado por Michael Caine), comédias como James Tont (Lando Buzzanca), Matt Helm (Dean Martin), Flint (James Coburn) – estes dois sempre rodeados de mulheres boazudas fossem elas inimigas ou aliadas. E um monte de seriados de tv como o impagável Agente 86, Agente da UNCLE, Os Destemidos, O Santo (com o futuro James Bond, Roger Moore) etc etc. Quem é que não gostaria de estar no papel de um desses agentes secretos? Eu também! Estar cercado de lindas e perigosas mulheres e viajar por lugares exóticos e enquanto o Mal era exterminado do planeta.

Teve um seriado que eu não perdia. Final dos anos 60, início dos anos 70. Tinha espiões, inventores dos dois lados – dos mocinhos e dos bandidos, portanto podia ser ficção científica, mas a ação se passava no faroeste americano. Uma coisa que desafiava classificação. Era um bang bang? Era filme de espionagem? No original chamava-se Wild Wild West. No Brasil se chamou James West, o nome do persosagem principal interpretado pelo baixinho Robert Conrad. Em São Paulo passou inicialmente na antiga Excelsior (a Globo da época – a de maior audiência), mais tarde passou na Tupi, na Bandeirantes, na Record e na TVS. Lembram da sequência da abertura ?



Ross Martin fazia Artemus Gordon, o assistente de James West, sempre inventando geringonças para lutar contra as forças do mal e era também um mestre de disfarces. Um dos inimigos mais constantes era um anão, Michael Dunn, que fazia o papel do egomaníaco e diabólico Miguelito Loveless.

James West e Artemus Gordon eram do serviço secreto, e quase sempre encarregados da proteção do presidente americano Ulysses S. Grant. Não tinham um batmóvel, mas o trem em que eles viajavam era cheio de truques. E a dupla sempre se metia em muitas brigas. Pelo menos duas sequências de brigas e outras situações de perigos em cada episódio. Os atores principais faziam questão de participarem eles mesmos dessas sequências. Vira e mexe estavam machucados. E essa violência foi o motivo do encerramento da série depois de quatro temporadas e 104 episódios. Isso porque o presidente da CBS se tinha comprometido com o governo a eliminar violência excessiva da sua programação. Olha, é uma explicação meio esdrúxula pois violência maior estava acontecendo no outro lado do mundo com o exército americano no Vietnam. E pela primeira vez o povo americano estava vendo os horrores da guerra ao vivo e a cores no aconchego de seus lares, na tevê, mas isso é asunto para um site mais sério do que esse daqui...

James West foi um excelente veículo escapista, que curti muito, em que o bem sempre prevalecia. Já o filme que fizeram do Wild Wild West em 1998 ou 1999 com Will Smith e Kevin Kline mudou tanto, que foi um insulto aos que acompanharam a série na tevê ...

Para saber mais sobre este seriado, visite este site.
Foto da Ursula Andress, daqui


::: Relembrado por gaijin4ever 4:38 AM

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Domingo, Outubro 25, 2009

DOZE ANOS



Alguns compositores têm o dom de transpor para suas letras momentos do cotidiano com uma clareza tamanha, que fica muito fácil para qualquer um se identificar com aquelas palavras.
O Chico Buarque, por exemplo, tem uma música exatamente com esse título – Cotidiano (1971) – que é incrível. Tem também uma outra composição sua menos conhecida, que acho muito legal, do disco Ópera do Malandro (1979), chamada Doze Anos.
Essa música é o tema do meu post de hoje.

Doze Anos (Chico Buarque) (clique para ouvir na Rádio UOL)

Ai, que saudades que eu tenho
Dos meus doze anos
Que saudade ingrata
Dar banda por aí
Fazendo grandes planos
E chutando lata
Trocando figurinha
Matando passarinho
Colecionando minhoca
Jogando muito botão
Rodopiando pião
Fazendo troca-troca

Ai, que saudades que eu tenho
Duma travessura
O futebol de rua
Sair pulando muro
Olhando fechadura
E vendo mulher nua
Comendo fruta no pé
Chupando picolé
Pé-de-moleque, paçoca
E, disputando troféu
Guerra de pipa no céu
Concurso de piPoca
(*)

(*)Na letra original não é concurso de “pipoca”. O Chico trocou uma letrinha nessa versão mais light, mas quem quiser pode ver e ouvir um trecho da peça Ópera do Malandro com a letra original aqui mesmo.


Essa letra do Chico fala da infância de qualquer moleque dos anos cinquenta ou sessenta. A começar pelo diálogo entre ele e Moreira da Silva, logo no início da gravação, que aborda o “teste da farinha”. Pura sacanagem, mas quem tem menos de 40 anos de idade provavelmente nem sabe do que se trata.
Vejamos os pontos comuns entre a minha infância e a canção:
- Eu também fiz muitos planos, grandes e pequenos.
- Eu chutei lata e vivia com o dedão arrebentado.
- Trocar figurinhas era habitual. Eu tinha centenas de repetidas para esse fim.
- Matar passarinho... Uma das minhas recordações mais dolorosas é a de quando vi no chão o passarinho que matei com uma espingardinha de pressão. Primeiro e único. Dali em diante a espingarda só foi usada para tiro ao alvo com setinhas. Com o estilingue eu era péssimo e não acertava nada, apesar de treinar muito em lagartixas e calangos com a minha munição de bolotas de mamona.
- Nunca colecionei minhoca, nem conheci alguém que colecionasse... Exceto o Bolinha, da Luluzinha, que tinha uma caixa cheia, lembram?
- Jogar botão era um dos meus passatempos prediletos numa determinada época. Tinha botões de todos os tipos e tamanhos. Era uma coisa meio bagunçada, mas era legal.
- Rodar pião já era uma coisa mais elaborada. Eu tinha piões de diferentes cores e formatos, para diferentes finalidades. Os “batatinhas” eram para brincar, rodar na mão, na unha... Os maiores, de ponta afiada no esmeril, eram para as disputas de tirar da roda ou rachar o pião do adversário.
- “Fazendo troca-troca”... A descoberta do sexo e da própria sexualidade. Foi nessa época.
- Travessuras... Fiz muitas, mas nenhuma muito séria.
- Futebol de rua... Joguei também, apesar de ser um perna-de-pau. Minha turminha era mais privilegiada, tínhamos um campinho de terra.
- Pular muro era comum. Tínhamos vários atalhos passando por quintais vizinhos.
- “Olhando fechadura e vendo mulher nua”... Hummm... A empregada do meu amigo de infância, João O., foi muito observada em seus banhos. Detalhe: ela sabia e colaborava! ;)
- “Comendo fruta no pé”... Uma das minhas mais deliciosas lembranças de infância, sem dúvida, é essa.
- “Chupando picolé... Pé de moleque, paçoca”... Saudades dos picolés de milho verde e creme holandês...
- “Guerra de pipa no céu”... Por incrível que pareça, na minha época em Sorocaba não havia muita guerra, apesar de muita pipa. Havia uma coexistência pacífica nos ares.
- “Concurso de pi_oca”... Na realidade, fazíamos concurso de tudo naquela época, qualquer coisa era pretexto. De cuspe à distância, de arroto mais alto, de peido... E esse citado na música era somente mais um.
Mas nunca ganhei troféu.

Nos meus doze anos eu estava cursando o ginasial em Sorocaba e dois anos depois viria para o Rio de Janeiro.
Guardo muitas saudades desse tempo.

Grande Chico, obrigado.

::: Relembrado por Paulo 11:20 PM

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Segunda-feira, Outubro 19, 2009

A TV que te viu



Estava eu zanzando pela Internet, quando me deparei com um site que me fez sentir o gosto de Mentex na boca, misturado com um copo de Crush geladinho, arrematado com um punhado de biscoitos salgadinho Piraquê.
Querem saber o que me provocou todas estas "madeleines"? O site Mofolândia.

O nome é meio esquisitão, mas o conteúdo... Se você tem mais de 40 anos, se você é do tempo em que se colocava bombril na ponta da antena para melhorar a imagem, em algum momento você vai fazer "hummmmm...", quando explorar o site. Agora imagina o rapaz aqui, declaradamente admirador de antigos seriados e desenhos (não sei se vocês já repararam...), se deparando com fotos e curiosidades de séries como: "Aventuras Submarinas" (vou confessar uma coisa a vocês: quando eu via este seriado queria ser o "Mike Nelson" quando crescesse. Cheguei a pedir para a minha mãe me matricular num curso de mergulhador), "Agente Fantasma" (meus vizinhos sofriam com aquele moleque "ninja" que vivia trepando nos muros, aparecendo subitamente na frente deles...a gente faz cada merda quando é criança, não é?),

"Guerra, Sombra e Água Fresca" (Quem se lembra do capitão nazista gritando, irado: "Hogaaaaaan!"), "Brasinhas do espaço" (este era um desenho. Lembram do "Escoteiro", "Sábio", "Xereta", "Jenny" e o cão "Estrelinha"?), "Carangos e Motocas" (Outro desenho. Willie contra a Turma do Chapa. E o bordão: "Eu te disse, não disse? Eu te disse, eu te disse...").
*
Pois lá tem tudo isso e muito mais!

Lá, fiquei sabendo de informações absolutamente úteis para a minha vida.
Vocês estão rindo? Como é que eu nunca pude perceber o que a "Endora" (mãe da "Samantha", a Feiticeira), a "Wilma Flintstone" e a "Maureen Robinson" (a mãe da família do "Perdidos no Espaço") tem em comum? Vocês sabem?

A dubladora.
Todas foram dubladas por Helena Samara. Depois que eu li a entrevista dela no site, onde ela revelou os personagens que dublou, passei mentalmente as vozes deles na minha mente e vi que era óbvio. Só eu não tinha percebido.
*
Ah! O site também tem uma coisa que eu adoro.
Trívia. Ou Quiz, se quiserem.
Das 20 perguntas que tem lá, só acertei oito. Meio fraco, né? Vai lá e vê se você faz um escore maior e depois me conta.
*
Acreditem: o site merece uma visita prolongada. Depois que eu saí dele, desliguei o computador, e várias musiquinhas daquela época começaram a tocar nos alto-falantes da minha mente. E eu passei o resto da tarde cantarolando coisas como:

"Capitão América lança seu escuuuuuudo..."

PteroMarco

::: Relembrado por Jack 8:58 AM

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Segunda-feira, Outubro 12, 2009

Lembranças infantis




Lembro do muro no qual ficava na infância, brincando com a garotada do prédio vizinho.
Lembro dos tombos e dos machucados de joelho que minha mãe colocava mercúrio-cromo.
Lembro das broncas da minha mãe.
Lembro de anáguas e combinações que pinicavam.
Lembro da vizinha fofoqueira.
Lembro de catar conchinhas na praia.
Lembro de sentarmos nos bancos da praia para secarmos o bumbum para não molhar o estofamento do carro.
Lembro do sorvete Kibon que era vendido em carrocinhas.
Lembro de que quando tinha dor de garganta, mamãe pincelava minha garganta com Colubiazol. E não era spray ainda não!
Lembro de quando essa garganta estava inflamada, nada de sorvete, só pirulito. Que eram colocados ao redor da beirada dessa mesma carrocinha da Kibon. Alguém mais se lembra disso?
Lembro da amarelinha, da cabra cega, do esconde-esconde, da queimada e do passa anel.
Lembro das imagens do caleidoscópio. Que coisa linda! Visão pré-psicodélica!
Lembro de brincar de escolinha na escadaria do apartamento sobreposto.
Lembro que por causa disso, queria ser professora.
Lembro da primeira edição televisiva do Sítio do Pica Pau Amarelo.
Lembro que viajar para São Paulo era quase uma aventura. E parecia muito mais longe do que na verdade é.
Lembro das pecinhas de madeira que fazíamos castelos medievais.
Lembro do Lig-Lig e dos Pinos Mágicos.
Lembro do meu macaquinho de pelúcia (pois é, o meu não era um ursinho).
Lembro do Conga azul que usava para ir à escola.
Lembro dos chicletes cor de rosa que tinham um aroma delicioso. Mas não era ainda o Ping-Pong. Ainda não, pois acho que sou mais velha do que eles.
Lembro das sessões de cinema matinais onde minha mãe me levava para ver Tom & Jerry.
Lembro também da bruxa horrorosa do filme Cinderela da Disney.
Lembro de comprar drop’s Dulcora quando ia ao cinema (hortelã, tutti-fruti ou aniz).
Lembro de meu cachorro Pingo, que minha mãe mandou embora porque comeu as roupas do varal.
Lembro da minha vitrola Sonata. A minha era vermelha. Da casa da minha avó era igualzinha, só que verde.
Lembro dos disquinhos coloridos de estórias, da minha irmã.
Lembro das brigas de criança e que a gente corria pra saia da mãe.
Lembro da saia rodada xadrez da professora do Jardim da infância.
Lembro da horta e da gruta que tínhamos dentro da escola.
Lembro do anfiteatro que encenávamos as peças e na qual nos formamos no curso primário.
Lembro da freirinha que era nossa diretora.
Lembro da saia azul marinho plissada da escola, que foi substituída pela cinza sem pregas. Lembro de dobrá-las na cintura, para que ficassem mais curtas.
Lembro das meias 3/4 brancas. Que quando começavam a perder o elástico, davam um trabalho danado para mantê-las abaixo do joelho.
Lembro do uniforme de educação física que tinha um ridículo calção vermelho por baixo da curta sainha branca plissada.
Lembro que íamos à escola com blusas de tergal brancas, com o distintivo da escola colado no bolso.
Lembro do aventalzinho xadrez branco e rosa do Jardim da Infância.
Lembro das medalhas que usavam os três primeiros colocados da classe.
Lembro das lições e do caderno de caligrafia.
Lembro de ter que decorar poesias para apresentações no pátio da escola. Já tinha então muita dificuldade para isso.
Lembro do sapato preto de amarrar, quase masculino que usávamos no Primário.
Lembro de ouvir rádio que funcionavam ainda a energia elétrica.
Lembro das garrafas de refrigerantes de vidro com tampinhas.
Lembro do guaraná caçula e da Coca-cola família.
Lembro dos vestidos-tubinho.
Lembro das fitas e arcos que usávamos nos cabelos.
Lembro da touca que fazia todos os dias por ter cabelos crespos.
Lembro dos shorts sociais que usávamos com bota até os joelhos.
Lembro dos conjuntos de Banlon e Bouclé que usávamos com saias ou calças compridas.

Feliz dia das crianças! Lembranças tão vivas na minha memória, que às vezes acho que ainda sou uma...

Jurassic Jack

::: Relembrado por Jack 8:00 AM

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Terça-feira, Outubro 06, 2009

A Era Dourada dos Seriados e Gibis



As minhas maiores diversões quando menino eram o cinema e os gibis. Televisão? Tinha disso não. Ia levar mais duas décadas para chegar em Duartina. Foi a época de ouro dos filmes e dos gibis! Você está de brincadeira, dirão vocês. Um assunto controverso pois cada um de vocês vão dizer que não, que é isso, a verdadeira idade de ouro foi quando vocês viveram a sua infância... Os nossos filmes e as revistas eram os melhores, autênticos, únicos, diremos todos nós.

Deixemos de lado essa discussão e falemos da minha época de ouro! Os filmes, mas principalmente os seriados que eram exibidos nas matinês de domingo no interior de São Paulo há mais ou menos 50 anos, mas que na maioria foram produzidos nas décadas anteriores, trazem doces lembranças para esse dinossauro. O senhor Steven Spielberg deve ter visto alguns dos mesmos seriados. Ele passou toda aquela atmosfera dos seriados, os inacreditáveis perigos um atrás do outro, nos seus filmes, em que heróis como Indiana Jones se safava copiando as mesmas soluções encontradas pelos velhos heróis das antigas mini-séries americanas. O exemplo taí abaixo num filme "redirigido" por Whoiseyevan nos moldes de um seriado antigo.



As minhas memórias estão bastante embaçadas pelo tempo mas lembro de heróis ou vilões desses seriados como os de Flash Gordon, Fu Man Chu, Comando Cody e tantos outros que foram deletados do meu memory chip. Comando Cody podia ser também o Rocket Man, que tinham nomes diferentes, mas usavam exatamente a mesma roupa e capacete “espaciais” o que ajuda a confundir as minhas lembranças um pouquinho mais.

Eu também devorava gibis, que comprava na única banca de revistas da cidade ou lia na casa de amigos. Fantasma, Mandrake, Cavaleiro Negro, Flecha Ligeira, Don Chicote, Tarzan, além do Capitão Marvel e Super Homem eram os mais populares. Tudo isso era o material literário-educativo que nos preparava para a importante missão de sermos os cidadãos do Brasil, gigante do futuro. Isso incluia valores morais, código de honra, coragem e também postura assexuada dos heróis (epa!), que sempre tinham algo mais importante como objetivo final, defender os fracos e oprimidos e derrotar os vilões.

As mulheres coitadinhas, quando apareciam eram eternas namoradinhas ou noivas, figuras decorativas ou constantemente em perigo. Veja a Narda do Mandrake, se bem que hoje, acho que havia algo rolando entre o mágico e o seu ajudante, um negrão aristocrático que andava todo o tempo semi nu, o Lothar. Narda só conseguiu levar o Mandrake para o altar depois de 64 anos (Mandrake conseguiu a façanha de enrolar o namoro de 1934 a 1998!) para acabar de vez com as fofocas maldosas. A Mirian (ou Lois) Lane não se cansava de dar em cima do Super Homem, a Diane Palmer vivia viajando para Bengala, na selva africana encontrar com o Fantasma na sua famosa Caverna e nada... Ou então eram vilãs, as representantes do mal. Já Batman e Robin ... aí é assunto para um outro papo.

E os gibis de hoje? São mais avançados graficamente, usando toda tecnologia às suas mãos, mais violentas, aparentemente sem nenhuma mensagem positiva. Muita gente torce o nariz, mas são mudanças que teriam de acontecer. Afinal o produto final tem que adaptar aos gostos da nova geração de leitores. Da mesma forma que os filmes, que exageram em efeitos especiais mas agradam, ao meu ver, ao pouco exigente mercado, sendo tudo nivelado lá em baixo.
E tenho certeza que os meninos de hoje vão afirmar mais pra frente, que essa é a idade de ouro dos filmes, revistas e games.


Aqui, um trailer do Capitão América:



Primeiro video: Trailer do Raiders of the Lost Ark foi recriado por whoiseyevan, como se fosse um dos seriados da minha infância. Mais “refilmagens” hilários no site dele.
Segundo video: Trailer original de um dos seriados do Capitão America.

Fotos daqui e também daqui.


Atualização: Pra ficar bem claro que o trailer do Raiders of Lost Ark é um fake, aqui estão as explicações do jovem “diretor” explicando quadro a quadro como e onde ele encontrou as “inspirações” do senhor Spielberg. Utilize o botão de pausa pois as imagens mudam muito rapidamente.


::: Relembrado por gaijin4ever 1:24 AM

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Domingo, Setembro 27, 2009

DO FUNDO DO BAÚ...


Em tempos de arrumação aqui em casa e me desfazendo de coisas velhas, resolvi por fim a um móvel com baú que ficava ao lado da antiga cama do meu filho que hoje, aos 27 anos, mora sozinho. A cama já se foi há um bom tempo e o baú ficou.
Servia como depósito de tudo que já não era mais usado. Aquelas coisas que, no fundo, você sabe que nunca mais vai precisar, mas não tem coragem de jogar fora. Aí vai acumulando com a desculpa: “depois eu vejo isso” ou “depois eu decido o que fazer”. E os anos vão passando...
Bem, hoje foi o dia “D”... D arrumação e D jogar fora o que não preciso mais guardar.
Claro que precisei de ajuda, e meu filho arrumou um tempinho para isso, mesmo porque muita coisa ali era dele.
E o que seria uma simples operação de limpeza acabou, como eu já esperava, em uma “sessão nostalgia”.
Fotos antigas, livros e brinquedos velhos e muita, muiiita tralha...
O joystick que nunca funcionou direito, dos joguinhos de computador, foi direto pro lixo...
Já os bonequinhos dos Comandos em Ação (GI-Joe) e os da turma do Batman (aqueles que você pressionava as pernas e eles moviam os braços), todos em perfeito estado, foram separados e só mudaram de endereço – foram para a casa do meu filho. Ele também separou para levar alguns livros, o pote de bolas de gude e os times de futebol de botão que ele pretende trazer de volta à atividade.
Muito lixo depois, lá no fundo do baú, literalmente, encontrei algumas coisas minhas: meu livro do OBERG, curso de desenho, que durante algum tempo me deu a ilusão de que eu poderia vir a ser um desenhista profissional. Ali naquela apostila eu aprendi, passo a passo, a desenhar uma orelha, nariz, boca, olhos, cabelos... Depois, juntando tudo eu teria um rosto. Pelo menos essa era a teoria...


Exemplos das imagens da apostila.

Eu vivia com meu estojo de lápis HB, B, 3B, 6B... Um para cada tipo de efeito que se queria obter e cheguei a rabiscar algumas coisas. Pensei até em dar um passo mais ousado e comprar telas e tintas.
Mas depois de muitas aulas e muito treino passamos ao mais difícil: desenhar mãos e pés. Foi nesse ponto que eu percebi que a minha vocação talvez fosse para a fotografia...
Ainda bem que não comprei as telas...
Isso foi no final dos anos setenta.
Voltando ao baú, lá estava também a minha coleção de “As Anedotas do Pasquim”, em cinco volumes, comprados entre 1975 e 1978. Me proporcionaram boas risadas...


E, perdidas lá no fundinho, as derradeiras fitas cassete que ainda não tinham ido para o lixo.
Afinal não tenho mais onde ouvi-las, não tenho mais meu tape-deck e, além disso, hoje tenho em CD tudo o que está ali gravado.

Fitas k7 da Gradiente, BASF e TDK.


Detalhe da BASF Chrome Maxima, de ótima qualidade para os padrões da época.


Estas são as últimas que ainda mantenho virgens e lacradas na embalagem original.
Da esquerda para a direita: Scotch de 90 minutos; TDK SA-60, Super Avilyn, excelente fita de cromo, e a SONY UX-S, também de cromo e do mesmo nível da anterior.
Essas últimas vinham com um selo oval com os dizeres “Best For CD”.

Essas eu vou guardar de recordação, quanto às demais... Estou num momento de desapego.
Fiquei com esses itens apenas para poder fotografar e ilustrar este texto. Quando eu estiver publicando este post quase tudo já terá ido para a lixeira.


... Provavelmente.


(Desculpem a precariedade das fotos. Foram tiradas com o celular).

UPDATE (16/10/09): Lendo o comentário do Itiro percebi que o meu texto talvez dê uma idéia errada das minhas "habilidades" como desenhista. As imagens da apostila do curso eram impressas, não foram desenhadas por mim. Meus rabiscos não eram tão bons...

::: Relembrado por Paulo 7:02 PM

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Segunda-feira, Setembro 21, 2009

Coleção de plásticos





No nosso tempo, no tempo em que o Duque de Caxias ainda brincava de cowboy, a gente arrumava sempre algum motivo para colecionar alguma quinquilharia: chapinhas de refrigerantes ou cerveja, figurinhas, selos, chaveiros, gibis... e plásticos, por exemplo. Pois é. Hoje falarei dos antigos plásticos, que num certo momento que nem sei precisar quando, viraram “adesivos”. Mas eu sou do tempo em que se chamavam plásticos e não tinham cola. Para grudar em alguma superfície lisa, era preciso molhá-los. Com água ou saliva.
Lembro que eles tinham um cheiro forte de amônia e vinham colados em papel transparente. Era só uma loja começar a distribuí-los que juntava uma petizada na porta, disputando a nova preciosidade.

Eu, como meus colegas da época, também colecionava plásticos coloridos. Uma vez, perdi uma porção deles. Caí na asneira de colá-los no pára-brisa do carro de um parente e, quando ele estacionou com o vidro abaixado, fizeram a festa. Ah, sim. Um outro modo de ampliar a coleção era afanar, passar a mão, surrupiar de carros, cujos motoristas dessem mole com o vidro abaixado. Naquela época se podia estacionar o carro para uma fugidinha num mercado ou numa quitanda e deixá-lo com os vidros baixos, para circular o ar, e não tinha um amigo do alheio para entrar e levar o veículo embora.

Com o tempo, acabei perdendo todo o resto da minha coleção de plásticos. Eram tão bonitos... Num sábado desses, fui na feirinha de antiguidades da Praça 15, aqui no Rio de Janeiro, e revi, numa banca (do meu amigo Caetano, de quem sou freguês), uma pasta cheia de plásticos da minha época. Reencontrei propagandas e lojas comerciais que há muito não mais existem.
Quem aí não se lembra do Flit, da Esso, que matava todos os mosquitos e outros insetos? Antes de dormir, minha mãe borrifava Flit com aquela bombinha manual pelos quartos da casa. Fechava a porta, a mosquitada caía durinha no chão, e a gente podia dormir sem ser chupado ou ouvir aquele zumbido característico.
E do Brylcreem? Aquela pasta branca que modelava nossos topetes. Era bem menos gorduroso que o Gumex. Eu usei os dois: primeiro o Gumex, e, tempos depois, o Brylcreem. (Como vocês podem ver, eu realmente sou antigo. Fui flanelinha no estacionamento de bigas do Ben-Hur...).

Alguém se recorda do Elefantinho da Shell, criado para fazer frente ao Tigre da Esso? E das lojas Cobrás? Essa cadeia de lojas se juntou a uma outra, a Tele-gel, criando a Brastel (“Na Brastel, tudo a preço de banana”), que faliu nos anos 80, num dos escândalos financeiros da época.
Na esquina da rua que dava acesso ao meu colégio ficava uma loja Bemoreira (grande concorrente do Ponto Frio). No final das aulas, eu sempre dava uma passadinha por lá para ver se tinham distribuído algum plástico do PEP (era uma sigla de campanha marketeira que significava “Preço E Prazo”). Tinha o bonequinho com roupa de várias cores.

Outra leva de plásticos que enriquecia nossas coleções era a de heróis do gibi. As revistinhas da Rio Gráfica vinham com selos na capa. Cada selo representava um certo número de pontos. Com cem pontos, a gente podia trocar por um plástico do Fantasma, Mandrake, Flecha Ligeira, Cavaleiro Negro, Nick Holmes, Brucutu, Búfalo Bill, Águia Negra... Com o sucesso dessa campanha, a Editora O Cruzeiro, que também editava gibis, lançou plásticos de seus heróis, como os Flintstones, Zé Colmeia, Dom Pixote, Pepe Legal...
Minha coleção de plásticos era grande. Pena eles terem se perdido nas mudanças ou nas arrumações de quarto posteriores. Hoje, além de valiosos nas feiras de antiguidades, eles seriam pedaços de saudade do tempo em que “só a cabecinha” era apenas o pedido que o carrasco fazia às vítimas da guilhotina.

PteroMarco

::: Relembrado por Jack 1:38 PM

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Domingo, Setembro 13, 2009



O sonho não acabou...



Formaram o maior grupo musical de todos os tempos. Essa semana só se falou neles em toda a internet. Lançamento do box de todos os cds gravados pelo grupo remasterizados digitalmente e o lançamento do jogo Rock Band para vídeo game, no dia 09.09.09.

A trajetória dos Beatles começou no The Cavern Club, em Liverpool, e depois tomou o rumo do sucesso mundial. Ao longo de apenas poucos 8 anos, de 1962 a 1970, os Beatles mudaram para sempre a face do rock and roll, criando uma linguagem musical única e influenciando o comportamento da juventude de sua época, como ninguém havia feito antes. Esse fenômeno comportamental da década de 60 foi chamado de Beatlemania. Até hoje, nenhum outro grupo musical conseguiu reproduzir tal façanha. Depois de quase quarenta anos da divisão do grupo, as vendagens de discos continuam incríveis . O último lançamento, o álbum The Beatles 1, foi mais um sucesso, comprovando que a Beatlemania permanece viva... Portanto viva a Beatlemania!

O Grupo:
Paul McCartney nasceu em 18 de junho de 1942, em Walton Road Hospital, Liverpool.
John Winston Lennon nasceu em 9 de outubro de 1940, no Hospital Maternidade de Oxford Street, em Liverpool. Foi morto com 5 tiros, no dia 8 de dezembro de 1980, quando retornava ao Edifício Dakota, em Nova York, por um "fã" que, horas antes, havia lhe pedido um autógrafo.
Ringo Starr na verdade chamava-se Richard Starkey Jr., nasceu em 7 de julho de 1940, na casa de seus pais.
George Harrison nasceu em 25 de fevereiro de 1943, também na casa de seus pais, no endereço 12 Arnold Grove, Wavertree, Liverpool. Faleceu em 29 de novembro de 2001, vítima de câncer, na cidade de Los Angeles (USA).

Hoje em dia é difícil acreditar que quatro garotos da classe trabalhadora de Liverpool (cidade portuária situada no norte da Inglaterra) tenham conseguido influenciar tanto o mundo a ponto de fazê-lo girar em torno de si mesmos. Ainda mais, levando em consideração os bem mais de trinta anos que separam a geração atual daquela do início dos anos 70.

Entretanto, o grupo foi resistindo ao longo do tempo, moldando novas tendências de acordo com a sua ideologia transcedental. Para alguém que hoje, escuta pela primeira vez um álbum dos Beatles, sua música ainda chega a causar espanto. Revolver, Rubber Soul, Abbey Road e principalmente o Álbum Branco (The Beatles) são discos essenciais em qualquer lugar do mundo. E influencia tanto que, para quem ainda não sabe, a maioria das bandas e artistas atuais absorveram legados musicais de John, Paul, George e Ringo.

Foi uma das maiores paixões de minha vida, musicalmente falando. Ícones da minha adolescência. Sei que vou chover no molhado, mas duvido que alguém seja capaz de dizer que nunca ouviu suas músicas, ou que nunca tenha tamborilado os dedos ouvindo uma, ou que nunca tenha dançado juntinho ou separado, ou que não tenha acompanhado seu ritmo com os pés, ou que nunca tenha assobiado uma dessas músicas: Impossível, improvável, inegável... Tudo que é bom dura o tempo suficiente para que seja inesquecível.



Jurassic Jack

::: Relembrado por Jack 5:33 PM

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Domingo, Setembro 06, 2009

Memória Escolar, de novo



Citei num dia desses, as cartilhas da minha infância, do tempo em que, como diria o nosso amigo Marco, Tomé de Souza fazia campanha eleitoral para se tornar o Governador-Geral do Brasil.

Nem caneta existia. Bom, pelo menos era assim no primeiro ano do antigo primário. Só usávamos lápis. Tínhamos aulas de caligrafia, aprendíamos a rabiscar as primeiras letras num caderno pautado, com linhas traçadas para fazer as minúsculas e maiúsculas. Eu mais apagava do que escrevia, cada folha era uma obra de arte, que a dona Floripes, a professora sem nenhum senso artístico, achava horrível e me obrigava a fazer tudo de novo.

Aprendíamos um montão de hinos – o da Independência, o da República, o da Bandeira, o Cisne Branco e tudo mais que inculcava o espírito cívico bem cedinho nas cucas dos futuros cidadãos da nossa pátria.

Usávamos também, um alongador metálico, onde colocávamos o nosso lápis para usar até sobrar somente um toquinho. Começávamos a decorar a tabuada, usávamos papel manilha para encapar os cadernos, goma-arábica para trabalhos ou no meu caso, trapalhadas manuais, oportunidade para fazer mais sujeira.



No segundo ano, uma mudança brusca, aterradora. Tínhamos de escrever com caneta de pena! A gente comprava uma varetinha, a caneta porta pena, e na ponta encaixávamos penas de metal, que vinham em diversas espessuras e até fonts diferentes. Cada vez que escrevíamos algo, molhávamos a pena num recipiente de vidro que continha a tinta. Este vidrinho ficava encaixado num buraco bem no meio, na parte superior do banco escolar. Cada banco era divido por dois alunos. Já deu pra pressentir o drama que criava esse precário arranjo para alguém meio descuidado e meio desastrado? Não tinha um dia que não voltasse pra casa, sujo de tinta e camisas brancas manchadas. E nem o mata-borrão era de muita ajuda apesar de chupar um pouco da tinta em excesso. Infelizmente não existia Omo nem máquina de lavar roupa para aliviar a trabalheira da minha mãe.

Felizmente, a indústria de tintas estava de olho nesses desastres e criou um recipiente, uma latinha metálica que foi desenhada para não entornar a tinta, mesmo que derrubássemos a latinha. Não sei que nome tinha essa criação tecnológica, mas não deve ter tido um marketing muito eficiente pois tenho certeza que nenhum de vocês ouviu falar desse produto.

As coisas melhoraram um pouquinho quando ganhei uma caneta tinteiro Compactor. Gostaria mesmo era de ter uma Sheaffer ou uma Parker. Esta, era de uso exclusivo do meu velho, que acredito, deveria ser bem mais cara. Mesmo assim, acidentes aconteciam, os invevitáveis borrões, principalmente quando a tinta acabava e tinha que recarregar usando uma bombinha do tipo que se usa para conta gotas, depois de desenroscar o corpo da caneta.

Aqueles que tinham uma das canetas da marca Parker (21, 45, 51, 61 etc) usavam as tintas da Parker, que se chamavam Quink. A última novidade era a tinta azul real lavável. Aqueles que tinham uma Sheaffer, o que aconteceu comigo alguns anos mais tarde, teriam que usar a Skrip, que era a tinta fabricada para ser usada com a caneta. A vida não era tão simples nos anos 50 como todos vocês pensam!

Foi então que surgiu a salvação. Uma das maravilhas do século passado. A caneta esferográfica, que chegou nos anos 60, veio facilitar a minha vida escolar e depois, a profissional. E por tabela, a da minha mãe, que não precisava mais colocar uma tonelada de aguarrás nas camisas para tirar as manchas. Pelo menos, não com a mesma constância de antes...


Fotos tirados deste site, daqui e também daqui.


::: Relembrado por gaijin4ever 4:41 AM

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Sábado, Agosto 22, 2009

Viajando na maionese




Vamos brincar de fazer lista?
Admito que sou viciado nisso. Não posso ver uma lista de preferências que começo logo a fazer a minha. Sobre qualquer assunto.
Eu acho que todo mundo é assim, não é? A gente vê uma lista de alguém e nem que seja mentalmente já vai vendo o que concorda e o que discorda.
Pois então, como estamos num blog dedicado aos saudosistas de plantão, farei algumas listas de preferências em temas que envolvam assuntos do tempo em que o Mar Morto não estava nem doente. Pensei em fazer listas dos “10 Melhores”, mas vi que ficaria muito grande. Então vai ser o “As três mais”. Escolhi as categorias: música, cinema e TV e uns temas bem enlouquecidos, tudo com mais de vinte anos, é claro. Vamos lá?

Música
As três frases de música brasileira mais esquisitas:
1 - “Um olho cego vagueia procurando por um” (da música “Frevo Mulher”)
2 – “Me deixa de quatro no ato, me enche de amor” (da música “Lança-Perfume”)
3 – “Tira essa bermuda que eu quero você sério!” (da música “Como eu quero”)

Os três melhores do brega da Jovem Guarda:
1 – Ted Boy Marino cantando “Rapaz Moderno”

2 – Wanderley Cardoso cantando “Abraça-me forte”
3 – Bobby de Carlo cantando “Boneca que diz não”

Cinema
As melhores frases do cinema:
1 - “O grito do coração do artista ecoa por todo o mundo; eu quero apenas dar o melhor de mim” (do filme “A festa de Babette”)
2 - “Reúna os suspeitos de sempre” (do filme “Casablanca”)
3 - “Carpe diem. Aproveitem o dia, meninos. Façam de suas vidas uma coisa extraordinária” (do filme “Sociedade dos Poetas Mortos”).

As três melhores comédias:
1 - Um dia nas corridas

2 - Deu a louca no mundo
3 - Um convidado bem trapalhão

Televisão
As três cenas mais ridiculamente engraçadas do seriado “Batman”:
1) Batman dançando um bat-twist

2) O Charada empurra Robin do alto de um edifício, Batman lança um batarangue, Robin apara com os dentes e é puxado. Depois diz: “Santos molares! Ainda bem que eu cuido dos meus dentes!”
3) Batman está pendurado numa bat-escada do bat helicóptero sobre o mar. Um tubarão morde a perna dele e fica preso. Robin grita: “Santas sardinhas!” e manda o bat-repelente de tubarão em spray para o herói.

Os três comerciais de TV mais inesquecíveis:
1) Casas Pernambucanas
2) Cobertores Parahyba
3) Baratinha Rodox


E aí? Querem fazer suas listas também? Escolham seus temas hilários e mandem bala! Vale qualquer coisa!

PteroMarco

::: Relembrado por Jack 2:17 PM

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