Seqüência dos Dinos


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"Se rugas têm de ser escritas na testa, não permita que se inscrevam no coração. O espírito jamais deve envelhecer" James Abram Garfield

Domingo, Julho 20, 2008

Tesouros da (minha) Juventude




Não sei vocês, mas eu adoro começar um texto com a expressão: “Não sei vocês, mas...”
Então, vamos lá: Não sei vocês, mas eu nunca me desfiz de nenhum de meus discos em vinil. Nem os coloridos, com historinhas infantis da coleção Carroussel. Alguns estão de tal forma impregnados de minhas antigas ternuras que se constituem em meus tesouros da juventude (nome de uma enciclopédia que eu tenho e que é uma deliciosa antiga ternura. Um dia falo sobre isso).
Tenho disco que me consolou depois de paixões que não deram certo. Alguns compactos simples foram minha única companhia em noites de solidão. Nunca poderia me desfazer de nenhum deles. Seria como amputar parte de mim.
*
Passemos, então, ao que interessa. Comprei um aparelho de som novo e fiz questão que ele tivesse entrada para toca-discos. Agora só falta comprar um pick-up para voltar a ouvir minhas preciosidades em forma de bolacha preta com um furo no meio.
Lembro que o primeiro disco que comprei, em mil novecentos e não vem ao caso, foi um compacto duplo com quatro músicas de filmes, todas compostas por Henry Mancini. O carro-chefe era o melosíssimo tema de “Romeu e Julieta” (direção de Franco Zefirelli). Eu tinha visto o filme e me apaixonado pela Olivia Hussey (eu costumava me apaixonar por atrizes de cinema. Alias, ainda continuo. A Jennifer Connely sabe disso. Ou deveria saber). Comprei este disco com a grana que ganhei vendendo picolés (coco, uva, maracujá, limão, milho verde e creme holandês...Lembro como se fosse hoje!)
*
A partir daí, qualquer dinheiro que eu arrumasse, ou seria entregue ao dono da banca de jornais em troca de gibis ou ia direto para o setor de discos da Ultralar (hummm... Melhor eu pular esta parte, se não entrego a idade e vai ter gente pensando que eu fui garçom na Santa Ceia e comissário de bordo do 14-Bis...)
*
Houve um tempo em que o “Jornal Hoje” lançava músicas como tema de abertura. E eu sempre acabava comprando os compactos.

Dessas, tenho “Evie” (com Johnny Mathis), “Rainbow Rockin’ Chair” (com Majority One), “What I’ll do” (com Tony Gregory and Family Child), “Don’t Turn Around” (com Black Ivory), “Stop! Look! Listen” (com Diana Ross e Marvin Gaye), “If” (com Bread, uma das músicas mais lindas já feitas)...
Como, de forma geral, eram baladas, quando rolavam as famosas festinhas na casa do Jurandir (era quem tinha uma varanda grande e uma lâmpada de luz negra) eu assumia a aparelhagem de som e botava tudo para tocar na hora do mela-cueca (imagino que a atual mocidade nem sequer supõe o que seja isso... esses moços, pobre moços, ah se soubessem o que eu sei...). E a gente dançava juntinho, depois de ter tomado uns aperitivos – leite de onça, calcinha de nylon e batida feita com Q-Suco e leite condensado, além dos sempre presentes cuba libre, coquetel a base da coca-cola com rum Merino (o Montilla era muito caro).
*
Lá na minha localidade, fui eu quem lançou “Gladys Knight and The Pips”, por intermédio do compacto “Neither One of Us” – que bem depois de eu ter comprado o disco foi tema de abertura do Jornal Hoje...
Lembro que o meu amigo Alcir, uma espécie de meu “Obi Wan Kenobi” da música, ficou doido quando ouviu.

E por falar no Alcir, foi ele quem me apresentou à banda espanhola de soul music “Barrabás”, autor do mega-sucesso “Woman”, que quando tocava nas festinhas, fazia a moçada chacoalhar a caveira até cansar. Aliás, foi o Alcir quem me apresentou a vários artistas que eu desconhecia: Donnie Elbert, Johnny Nash, Timmy Thomas...
*
Não posso deixar de falar nas trilhas de novela. Sei que até hoje elas fazem sucesso. Mas quando a Globo começou a lançar os discos, era uma forma da gente conhecer artistas que não tinham álbuns lançados no Brasil (Stylistics, por exemplo) e tomar conhecimento de músicas fantásticas de músicos já consagrados. De todas as minhas trilhas da época, destaco a “Bandeira 2 Internacional”. Uma preciosidade, senhoras e senhores! Até hoje fico alucinado em ouvir, por exemplo, “How Can You Believe”, música instrumental solada na gaita por um certo Eivets Rednow, um rapazola cego que já era conhecido na época como Stevie Wonder (perceberam o anagrama?). Pois é.

Ele chegou a lançar um LP intitulado “Alfie” como Eivets Rednow, onde tocava gaita, bateria, teclado... E eu deixei de comprar este disco! Até hoje fico procurando por ele em sebos.
A outra música do Stevie no “Bandeira 2” também é memorável: “Think of Me As Your Soldier”. É linda! Excelente para dançar agarradinho (o tal “mela-cueca que eu falei...).
*
Tenho um disco que é uma verdadeira obra-prima: “First”, primeiro disco-solo de David Gates, o líder e mentor do conjunto Bread. Não há uma música sequer que a gente não aplauda de pé. E tem um outro LP que me é particularmente caro: “Sweet Baby James”, de James Taylor, em que tem “Fire and Rain”.

Lembro que uma vez, estava numa fossa danada, daquelas de juntar cachorro em volta, por causa de uma criatura fêmea e ouvia “Fire and Rain” direto. Quase gastei os sulcos do disco! Quando assisti ao show do James Taylor (duas vezes: uma no Rock in Rio 1 e outra no Rock in Rio 3), e ele tocou esta música, não pude deixar de lembrar daquela memorável dor de cotovelo.
*
Vocês repararam que eu só coloquei música em inglês, não é? Pois é. Naquela época a gente só ouvia músicas cantadas em inglês. Até artistas brasileiros gravavam com nome estrangeiro e músicas na língua de Shakespeare, James Joyce e do pessoal da Barra da Tijuca. Tinha o Light Reflections (“Tell me you once again, that you know, that I’ die…”), o Pholhas (“ ’Cause I still remember she made me cryyyyyyyyy…”), o Terry Winter (“On a summer day/ (On a summer day)/ I met you/ Summer Holliday/ (Summer Holliday)/One of few” – esta música ele fez com um grande amigo meu, o Deuclides Gouvea, que assinava como “Dell Clyde”)… Nossa! A lista seria grande!
*
Eu gostaria que este post fosse lido ao som dessas músicas que eu citei. Que começasse pelo barulhinho da agulha encostando no disco, seguido daquele chiadinho característico... E quando chegasse nesta parte do texto, coincidisse com o fim do disco, com a agulha chegando ao final do sulco, parasse lá, com o prato continuando a girar... Em silêncio.

PteroMarco

::: Relembrado por Jack 7:44 AM

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Terça-feira, Julho 15, 2008

O som de antigamente


 
 


Sei lá quanto tempo tenho esse post em mente. Mas nada de conseguir escrever sobre. Não sei se tinha algum tipo de bloqueio, vai saber... Primeiro não conseguia ilustrar, pois não achava nada no Google que pudesse ao menos lembrar o que era uma Sonata. Fucei tanto que acabei encontrando. Fotos coloridas no site do Mercado Livre. Pois é, ainda a vendem lá! Logo após, mexendo em fotos antigas na casa de minha mãe, achei fotos minhas e de meus irmãos com a dita cuja. Acreditam? Ah, vão acreditar sim, pois cá estão as mesmas ilustrando o texto desta jurássica.

Na infância tivemos uma Sonata como toca discos da casa. Não sei se alguém mais se lembra o que era, mas agora não vai ser por falta de ilustração que alguém vai deixar de lembrar. O nosso era vermelho. Meus avós também tinham. Só que o que deles era verde. Com prato de borracha e tudo! Velocidade 33, 45 e 78 RPM.

A parte do prato se acoplava perfeitamente na parte inferior do alto-falante. Isso fazia da Sonata quase um eletrodoméstico portátil. Você podia carregar pra onde quisesse. Inclusive pras festinhas em casas dos amigos e bailinhos de fundo de quintal. O aparelho possuía uma espécie de trinco que a segurava lá. A parte superior do alto falante tinha uma alça. Era só tirar a parte do prato de dentro do auto-falante. Uma grande conquista àquela altura, anos 60. Pois antes disto os toca discos eram imensos e se ‘escondiam’ dentro de móveis!



::: Relembrado por Jack 6:12 AM

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Segunda-feira, Julho 07, 2008

jardineiras e bondes


O bonde, antes dos significados atuais, foi um meio de transporte coletivo muito importante nas grandes cidades brasileiras. Andei muito de bonde quando criança. Ué, mas tinha bonde em Duartina? Infelizmente, não. Apesar de ser uma “metrópole”, em vez dos bondes, Duartina tinha as jardineiras – precursoras dos micro-ônibus, abertos dos lados, com bancos de madeira que iam de um lado ao outro, com estribos nas duas laterais para a gente subir e do lado de fora, lá atrás, tinha uma escadinha que ia pro teto da jardineira, para levar as bagagens e as compras dos passageiros. Essas jardineiras transportavam o povaréu das vilas e dos sítios e fazendas da redondeza para a cidade e vice-versa. Muitas grandes empresas de ônibus começaram dessa forma simples.

Mas como ia dizendo, andei muito de bonde. Acontecia quando íamos pra São Paulo durante as férias escolares, que passávamos na casa dos meus tios que moravam alí na Teodoro Sampaio, quase esquina com a Fradique Coutinho. Era um meio de transporte barato e prático.

Dentro dos bondes, a gente ocupava o tempo lendo os diversos reclames, como aquele famoso do rum creosotado e outros como os da Pomada Minâncora, Biotônico Fontoura, Gumex (Dura Lex, Sed Led, no cabelo só Gumex) e um outro meio assustador, do Xarope São João com um homem desesperado com olhos arregalados, querendo se livrar de uma mordaça, gritando "Larga-me! Deixa-me gritar!" . Antes da televisão, o bonde foi um meio bastante utilizado para fazer propagandas e eficiente, haja visto esse jurássico que ainda hoje consegue se lembrar de algumas...

Haviam outros anúncios, que demorei anos e anos para entender, como o do Regulador Xavier, que não tinha a menor idéia para que servia. Tampouco o que significava "aqueles dias" da propaganda da Saúde da Mulher.

A malha de linhas de bondes elétricos em São Paulo chegou a ter mais de 1000 km. Inaugurada em 1900, a malha começou a ser desativada pouco a pouco a partir de 1960. No dia 27 de março de 1968 a única rota remanescente, a Vila Mariana-Santo Amaro, teve o seu último dia de operações. O Metrô estava chegando. E tive a felicidade de participar disso também, trabalhando durante a fase inicial, de planejamento e construção, até um pouco antes da inauguração da primeira linha.

Apesar dos bondes terem sido abandonados por serem considerados obsoletos, algumas grandes cidades aqui nos Estados Unidos, inclusive aqui perto em Denver, estão usando esses veículos, numa nova reencarnação, com um novo nome e com vagões modernos. São os chamados Light Rail, mais baratos do que metrô para serem implantados e serem operados.

Fotos deste site e também daqui.

::: Relembrado por gaijin4ever 4:34 AM

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Domingo, Junho 29, 2008

TARAN TARAN...


Já não se faz mais filmes como os de antigamente...
Não é nostalgia, é uma constatação.
Os mais jovens irão concordar com ironia dizendo: - É claro, os de hoje são muito melhores. Temos mais efeitos especiais, muito mais recursos, som Dolby Surround e imagem digital.
Mas não é a isso que me refiro. Claro que a tecnologia trouxe benefícios áudio-visuais que eram inimagináveis há cinqüenta anos. Seriam coisas de ficção científica.
Fico imaginando do que seriam capazes Chaplin, Hitchcock, e tantos outros que nem vou me dar ao trabalho de citar, tendo acesso aos recursos atuais...
Que loucuras não faria o Buster Keaton?
O que o Stanley Kubrick não faria com “2001, Uma Odisséia no Espaço” se tivesse em mãos os recursos de efeitos digitais que são possíveis hoje?
Mas estou divagando...
O fato é que os filmes do meu tempo eram assustadores mesmo sem sangue espirrando ou tripas expostas, eram sensuais sem serem explícitos e eram engraçados sem serem apelativos. É aí que o talento faz toda diferença.
Esse assunto me veio à mente porque revi um clássico da comédia – A Pantera Cor de Rosa (Pink Panther), versão original de 1963.
A Pantera fez tanto sucesso que gerou várias continuações, com o impagável e inesquecível Peter Sellers no papel do atrapalhado Inspetor Clouseau.


“Meglio stasera, che domani o mai,
Domani chi lo sa, quel che sarà?”

Melhor hoje à noite que amanhã ou depois,
Amanhã quem sabe, o que será?


Essa cena reune boa parte do elenco em volta da lareira em uma estação de esqui, entretidos com a canção Meglio Stasera na voz de Fran Jeffries. Essa música foi regravada recentemente por Michael Bublé.
O ótimo elenco era encabeçado por David Niven, Peter Sellers, Robert Wagner (do Casal 20, lembram?), Capucine e Claudia Cardinale.
A música tema do filme, composta por Henry Mancini, ficou célebre, assim como o cartoon criado por DePatie-Freleng para a abertura do filme que fez tanto sucesso que acabou virando uma série de desenho animado.


O trailer do filme de Blake Edwards


Após a morte de Peter Sellers foram feitas várias tentativas frustradas de dar continuidade à série. Outros atores foram testados no papel do inspetor atrapalhado. Até arrumaram um filho para o inspetor Clouseau, com Roberto Benigni no papel.
Em 2006 foi a vez de Steve Martin tentar a sorte na refilmagem da Pantera Cor de Rosa. Coitado, ele se esforçou... Mas esse é um daqueles casos clássicos em que o personagem fica tão marcado que só funciona com aquele determinado ator.
Não haverá um Ben-Hur como o Charlton Heston; não haverá um Mr. Spock como o Leonard Nimoy; não haverá um Indiana Jones como o Harrison Ford e não haverá, jamais, um Inspetor Clouseau como o Peter Sellers.

Paulopithecus

::: Relembrado por Jack 10:26 PM

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Domingo, Junho 22, 2008

O balão vai subindo, vem caindo a garoa...





...“o Céu é tão lindo e a noite é tão boa”...

É tempo de festas juninas, de pular fogueira, dançar quadrilha, comer milho e batata-doce, soltar balão e tantas outras coisas típicas, não é?
Essa época me traz muitas e boas recordações. É uma manifestação tipicamente brasileira, mas.... é totalmente internacional. Acredite, se quiser.
As fogueiras são uma herança do paganismo celta, que comemorava o solstício de verão botando lenha pra queimar. Quem leu “As brumas de Avalon” e lembra das “Fogueiras de Beltane”, sabe disso. A quadrilha é uma dança que se originou do minueto francês. Por isso os “anarriê” (na verdade, é um abrasileiramento de “en derrière”, recuar), “anavã” (“en avant”, avançar), “travessê” (“travesser”, atravessar), “balancê” (“balancer”, balançar) e vai por aí a fora. O milho é de origem azteca, a batata-doce veio dos Andes. Os balões de papel de seda foram criados na China.
Como se vê, é uma festa inteiramente globalizada...
Mas foi aqui, no Brasil, que todas essas coisas se juntaram numa festa impregnada de brasilidade até o último gole de quentão.
Participei animadamente de muitas festas juninas. Lembro de uma, em mil-novecentos-e-não-vem-ao-caso, no colégio de meus irmãos, em que eu particularmente me empenhei. Ajudei a cortar as folhas de coqueiro e a montar as barraquinhas e a “cadeia”. O diretor da escola me deu a gerência da barraquinha das argolas, onde as pessoas pagavam um dinheirinho para lançar três argolas sobre um tablado onde tinha maço de cigarros, garrafa de vinho, brinquedos de 1,99 etc. Teve quadrilha, lógico, e eu formava o casal principal, que puxava a fila. Ensaiamos bastante e foi um show, modéstia às favas. Quando acabou tudo, eu ainda ajudei a desarmar o arraiá. Por meu empenho, o diretor do colégio puxou uma salva de palmas para mim e ainda me deu uma garrafa de Guaraná caçula. Nem precisava. Eu tinha me divertido tanto, que já me considerava totalmente remunerado.

Naquela época, os rituais juninos eram coisa séria. Alguns meninos construíam barraquinhas de caixote de madeira, forravam com papel enfeitado, penduravam uma lanterna colorida e vendiam, na porta de casa, estalinhos, bombinhas, cabeças de negro, buscapé, cobrinha, estrelinha, bandeirinha e os sempre presentes barbantinhos cheirosos.
Nas festas, só se ouvia músicas típicas de festas juninas, celebrando os santos do mês – Santo Antônio, São João e São Pedro. Curioso: São Paulo também é celebrado no dia 29 de junho, mas ninguém lembra dele nas músicas e nas festas. Talvez por ter sido um santo muito intelectualizado, afinal de contas foi o grande “inventor" do cristianismo como nós o conhecemos (Jesus e a maioria dos apóstolos só pregaram judaísmo para judeus, foi Paulo que levou a palavra de Cristo aos chamados gentios).
Nos meus bons tempos, era sagrado: música de festa junina era aquela que a gente dançava na quadrilha. A primeira vez que ouvi Michael Jackson e Madonna num arraiá fiquei horrorizado! Hoje, tocam a música do créu e outros hip-hops do gênero. Só se ouve música junina na hora da quadrilha e olha lá. Daqui a pouco vai ter anarriê ao som de Britney Spears e Robbie Williams.

Quase não se vê canjica, curau e batata-doce. Só dá cachorro-quente, hambúrguer e pizza nos arraiás daqui do Rio. O quentão foi substituído pela caipiróska. Assim não dá...
Com tudo e apesar de tudo isso, eu ainda fico com as minhas festas juninas de infância, quando olhava o céu, pintadinho de balão, quando procurava o brilho nos olhos da menina de que eu gostava, quando vestia roupas com remendos e passava rolha queimada no rosto, pra fazer bigode e costeleta...
Ainda hoje eu olho pro céu, com um travo nostálgico nos olhos, como se ainda ouvisse lá no fundo de mim...
“São João, São João... Acende a fogueira no meu coração...”

PteroMarco

::: Relembrado por Jack 5:46 AM

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Domingo, Junho 15, 2008

O príncipe e o mendigo




Há muito tempo atrás e muito antes do PC, eu era uma adolescente normal e até bastante tímida. E o pior: parece que estou ficando uma envelhescente agora não muito normal. O pessoal aqui de casa, acha que sou meio maluca, porque ainda gosto de rock, parque de diversões, sou tiete dos meus ídolos, essas coisas...

A estória que vou contar, de fato aconteceu comigo e uma amiga, que morava apenas uma quadra de casa. Nossas mães diziam que a calçada daquela quadra da Rua Goiás, entre minha casa e a dela, iria simplesmente desaparecer. Ou afundar, de tanto que uma ia pra casa da outra.

Lembro-me muito bem desse dia, pois o que vimos foi quase uma visão celestial: um lindo galã quase menino, só não me lembro de qual antigo canal de TV: Kadu Moliterno. Ele estava estrelando a novela O Príncipe e o Mendigo onde fazia ambos os papéis. Atualmente ele nem me parece tão bonito. Lógico, descontando a idade, a calvície, etc. Está na Global novela das sete: é o Gaspar. Mas na época, ali nas nossas barbas, parado em frente à padaria, a coisa tinha outro significado.

Vínhamos da casa de minha amiga, e quando o vimos, saímos correndo em direção à minha casa. E, segundo minha irmã e minha mãe, nós parecíamos duas loucas varridas, correndo pela rua. Tudo isso somente para contar pra todo mundo que a gente tinha visto o “príncipe”... Ficaram até com medo de que, logo atrás de nós, viesse o carro do Juquerí ou do Pinel, (como preferirem), com duas camisas-de-força, para nos encamizar...

Até cair a ficha delas, que nós estávamos falando do Kadu, foi-se algum tempo. Aí as duas idiotas voltaram pra padaria e ficaram só olhando de longe, com aquele olhar comprido... Tietagem à distância, mas nem por isso, menos apaixonada. Hoje em dia, não se fazem mais adolescentes como antigamente!

Quem quiser saber mais sobre o artista, clique neste link.

::: Relembrado por Jack 7:49 AM

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Domingo, Junho 08, 2008

Corrente Milagrosa de ....


Parabéns! Você está lendo um texto que vai alterar a sua vida. Tudo que você sempre sonhou será realizado. Siga fielmente as instruções abaixo e envie esse texto diariamente para 20 pessoas, por 60 dias. Mas se você se atrever a quebrar essa corrente, pesadas e dolorosas consequências abaterão sobre você, sua família, seus vizinhos, seus amigos, seus gatos e cachorros!

Corrente com introdução como essa aí de cima, de santos milagreiros ou de feiticeiros, que deu várias voltas ao mundo, quem não recebeu uma ? Hoje, isso é canja de se cumprir. Basta fazer uns cliques aqui e ali e pronto! Você segue à risca todas as instruções num piscar de olho. A corrente continua seguindo em frente e você estará livre de qualquer desgraça até você receber a próxima corrente.

Não tenho a mínima idéia quando surgiu a primeira corrente, mas deve ter começado assim que o homem aprendeu a escrever. Você lembra de ter recebido algumas que vinham com uma lista de dez nomes e você teria de mandar um cruzeiro (ou seja lá qual o nome que a nossa moeda tinha nas diversas encarnações dessas correntes) para o primeirão da lista? Daí você entrava como o décimo e aquele primeiro da lista desaparecia e se aposentava com muita grana. E depois de algum tempo seria a sua vez de se tornar milionário, com dinheiro chegando do mundo todo. Trouxas, inclusive eu, existiram desde sempre...

As primeiras dessas correntes milagrosas me foram entregues sorrateiramente nos bancos escolares e outras, vieram pelo correio. Tudo feito manualmente. Se você não tivesse a sorte de ter uma máquina de escrever para datilografar rapidamente diversas cópias, utilizando papel carbono, você teria que escrever à mão, tantas cópias quantas fossem necessárias para seguir as instruções da corrente. E colocá-las uma a uma em envelopes, escrever os nomes dos destinatários e do remetente, selá-las e levá-las ao correio.

E para que esse sacrifício e trabalheira toda? Não sei vocês, mas pra mim, era o medo de que me acontecesse o mesmo que sucedeu com uma certa Cynthia Thibodeau de Oklahoma que em 1952 esqueceu de passar pra frente e morreu afogada na piscina da sua casa 23 dias depois de receber a corrente. Bom, em casa não tinha piscina e nem sequer sabia de alguém que tivesse uma, isso era coisa de fita americana, mas quem sabe, poderia perfeitamente acontecer no Rio Serrote ou no Alambari onde a gente ia dar umas braçadas... Bom... ia, até receber essa danada da corrente.

Em contrapartida se você continuasse a corrente, poderia ganhar uma promoção no seu emprego como aconteceu com Pablo Gonzalez, de Málaga, em junho de 1956, que apesar de ter esquecido de enviar as mensagens, se lembrou delas e seguiu as instruções direitinho antes do prazo fatal. Eu nem emprego tinha, mas por via das dúvidas botei a corrente pra frente, e graças a isso recebi algumas promoçõezinhas, décadas mais tarde, quando nem me lembrava mais das tais correntes...
Ainda estava cursando o ginasial quando quebrei a primeira corrente porque não tinha dinheiro para os selos e perdi noites de sono com medo de que alguma coisa muito ruim pudesse acontecer comigo, com a minha família ou com meus amigos. Ainda bem que não precisei de me preocupar com meus gatos ou cachorros pois não tinha um nem outro.

Passaram-se dias, semanas e meses e nada de uma grande desgraça. Ufa, que alívio...Agora posso quebrar correntes sem medo! Mas sem me aperceber acabei me tornando o sujeito mais espinhudo da turma. Muito tempo depois eis que recebo mais uma dessas correntes e estava ali, bem claro: um nissei brasileiro, morador no interior de São Paulo ignorou essa corrente em 1960 e passou de garoto mais lindo à condição de mais espinhudo da sua turma e evitado por todas as lindas garotas da cidade. Estava falando de mim!!! A situação (a minha cara) melhorou um pouquinho quando passei a nova corrente pra frente. Portanto, nunca se atreva a quebrar uma corrente!

Para uma visão um pouquinho mais séria e realista desse fenômeno, siga este link do snopes ou este aqui do break the chain, que infelizmente são em inglês mas dá uma boa explicação do que anda por aí no nosso mundo cibernético. Se vocês conhecerem um site semelhante em português, por favor mencione nos comentários que atualizarei no site.

Foto surrupiado e modificado levemente, daqui.

::: Relembrado por gaijin4ever 2:59 AM

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Domingo, Junho 01, 2008

QUAL É O JOGO?



Anos setenta.
Domingo à tarde com a família e “agregados” (namorados e namoradas)... Final do almoço e trocamos rapidamente a toalha da mesa da sala... Cadeiras ao redor para oito ou dez pessoas (apertadas).
Ia começar a sessão de jogos de salão!
Claro que era preciso decidir com antecedência qual seria o jogo do dia, tal a diversidade de opções.
Primeira decisão: tabuleiro ou cartas?
Alguns fatores deviam ser levados em consideração na hora da escolha e o principal era o número de pessoas. Alguns jogos de tabuleiro eram limitados a quatro jogadores... Alguns jogos de baralho também.
As opções de tabuleiro na época eram:
- WAR. Jogo de estratégia campeão! Esse era o meu favorito e, dependendo do número de jogadores, podia durar horas entre conquistas de territórios ou aniquilação de um determinado adversário. Algumas missões eram particularmente difíceis e, claro, o fator sorte também pesava. Hoje o WAR tem várias versões, mas eu só conheço a primeira.
- BANCO IMOBILIÁRIO (ou MONOPÓLIO). Eu tinha os dois e eram quase idênticos, apenas com pequenas diferenças. Também era um dos meus preferidos e podia, quando jogado com seriedade, demorar um tempo razoável. Mas as regras eram flexionadas com freqüência e, com os banqueiros “corruptos” permitindo empréstimos irregulares, ninguém ia à falência. E o jogo não acabava...
- PALAVRAS CRUZADAS (de tabuleiro). O meu tem todas as pecinhas em madeira e era do meu pai. Aqui havia uma limitação de número, permite no máximo quatro jogadores.
- YAM. Esse é um jogo de dados, basicamente, mesclando sorte e estratégia. Cinco dados e uma folha de pontuação para cada jogador, sem limitação de número. Vale observar que quanto mais jogadores, mais demorado o jogo irá se tornar. Num certo período esse jogo se tornou uma espécie de vício entre eu e meus amigos. Hoje descobri que há uma versão para se jogar online, mas ainda não testei.
- DICIONÁRIO. Esse eu conheci bem antes da Grow lançar a versão comercial ACADEMIA. É necessário apenas um bom dicionário, lápis e papel para todos os jogadores. Aqui, quanto mais pessoas melhor. É garantia de boas risadas e muita diversão, além de aprimorar o vocabulário.
- DOMINÓ. Esse todo mundo conhece e dispensa maiores apresentações.
Nem vou citar os clássicos DAMAS, XADREZ e GAMÃO porque limitavam os jogadores a apenas dois, o que era inadmissível num grupo grande como o nosso. Ficavam relegados a outras ocasiões.
Eu era tão apaixonado por jogos que fiz uma coleção da Editora Abril chamada TODOS OS JOGOS que consistia em uma caixa com vários compartimentos que iam sendo preenchidos, ao longo da coleção, por peças e dados de todos os tipos, cores e formatos. Cada fascículo vinha acompanhado de uma folha com o desenho de um tabuleiro diferente que depois podia ser encaixado em uma base de papelão e plástico. Era possível jogar dezenas de jogos de diversas partes do mundo. Tenho até hoje, mas nunca testei nem a metade...
Acompanhava essa coleção um livro voltado para os jogos de cartas, ensinando desde os jogos mais comuns até alguns que eu nunca tinha ouvido falar.
Os jogos de baralho eram uma opção fácil. Nem sempre havia um jogo de tabuleiro disponível, mas sempre havia um baralho na gaveta de alguém.
Jogávamos BURACO, SUECA, DESCONFIO, MAU-MAU, COPAS FORA e PÔQUER. Esse último é o único do qual não me enjoei, mas por falta de parceiros tive que diminuir radicalmente a frequência.
Esse tipo de programa familiar, bastante comum naquela época, acabou se perdendo em razão de outras novidades. A garotada sai pra “balada” e os que ficam em casa divertem-se “solitariamente” nos seus computadores. Aliás, eu também faço isso, tenho que admitir.
Quase todos os jogos mais conhecidos já têm versões digitais e podem ser jogados pela Internet, mas nada substitui o contato pessoal. Afinal aquelas reuniões significavam muito mais do que um simples jogo. Era um momento de confraternização incomparável.
Eu, sempre que posso, procuro reviver esses eventos na casa dos meus pais. Nas festas de final de ano já está se tornando habitual.
Paradoxalmente, a violência e a falta de dinheiro estão trazendo de volta esses programas domésticos que são incrivelmente baratos, seguros e divertidos...
Um efeito colateral inesperado, mas muito bem-vindo.


Referências:
Brinquedos GROW
Brinquedos ESTRELA
Ludomania (Site sobre jogos diversos)


::: Relembrado por Paulo 7:41 PM

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Domingo, Maio 25, 2008

Uma noite com Jerry Lewis





Antigamente, eu tinha um círculo de amigos que estava sempre se reunindo. Saíamos para a gandaia, ríamos, os que bebiam, enchiam a caveira... Hoje, o grupo está afastado. Quase todos casaram (uns descasaram e casaram de novo), têm filhos, uns foram morar em outro estado e até em outro país. Mas as aventuras que vivemos juntos ficarão pra sempre na lembrança.
*

Mas eu queria falar de um determinado amigo. Vamos chamá-lo de Jerry Lewis. Como aquele famoso comediante. Pois é. O cara era muito tímido, não conseguia arranjar namorada nem fazendo macumba (eu também não, mas isso não vem ao caso...). Pois um dia, o cara apareceu numa de nossas reuniões dizendo:
- Pessoal! Chamei uma garota pra sair e ela topou!
Festa na torcida. Fizemos até hola. Afinal, o Jerry tinha tirado o pé do lodo. Mas ele advertiu:
- Olha só, moçada: a moça é evangélica. Não suporta ouvir palavrão. Vocês vão ter que se segurar.
E falou essa última frase olhando pra mim. Bem, não sei se vocês já perceberam, mas eu gosto de dizer umas gracinhas... E até admito que algumas piadas do meu repertório fariam corar um palmito.
Mas tranqüilizei o Jerry. Que ele ficasse na paz, que eu me comportaria como um lorde inglês do Século 19. Os demais também prometeram segurar as pontas. O Jerry podia trazer a moça que nós seríamos como anjinhos barrocos de igreja mineira. E marcamos um dia para sairmos todos juntos. Era a chance de conhecer a nova namorada do cara.
*
Na tal noite, estávamos todos na casa de um casal do grupo, quando o Jerry chegou, sozinho. Tinha vindo antes, para novamente implorar que nos comportássemos, que ninguém falasse um palavrãozinho sequer. “Tudo bem. Jerry! Confia na gente!” Ele nos olhou com uma cara de “hum, num sei, não...” Mas, os dados já estavam rolando. Pouco tempo depois, chegou a moça. Ela se chamava Denise, acho.
*

Naquela noite, parecíamos velhinhas inglesas, tomando chá no Rotary Club. Conversamos sobre a paz mundial, sobre desenhos da Disney e até sobre como era gelada a Sibéria. Jerry se esmerava em atenções:
- Meu anjo, quer mais guaraná? Quer que eu prepare um queijo quente pra você? Quer mais uma almofada?
Aquela melosidade, aquele açúcar todo causaria cárie até em dente de alho! Mas o amor deixa a gente assim, fazer o quê...
Dali, decidimos ir para um barzinho, ou para o boliche...Um programa digno do “Jardim de Infância da Titia Teteca”. Distribuímos as pessoas pelos carros, iríamos eu e mais dois no carro do Jerry e Denise. Os demais, num outro que nos seguiria.
Acreditem: o Jerry, todo solícito, abriu a porta do carro pra moça, que estava encantada com aquele namorado tão gentil. Os três canalhas foram no banco de trás, cheios de frufrus:
- Você primeiro, caro amigo...
- Não, por favor! Eu insisto, entra você...
- Ah, muito obrigado!
*
Todos dentro, Jerry liga o possante e vai olhar se o outro estava por perto.
PLAFT!
Ele tinha esquecido de baixar o vidro do carro e deu com a fuça na janela com toda força. Em seguida, abriu o verbo:
- P(@#$%&*) QUE PARIU! CAR(*&%$#@)!! POR(@#$%&*)! VIDRO FILHO DA P(*&%$#@)!!!!
*

A cada palavrão que ele vociferava, a moça mais se encolhia no banco, os olhos esbugalhados, ameaçando sair das órbitas e fugir rolando pela rua. No banco de trás, tinha gente virando cambalhota de tanto rir e um pediu para abrir a porta, porque já estava quase se mijando...O que não ajudava nadinha, nadinha aquela situação.
*
Jerry percebeu o que tinha feito e tentou se desculpar, segurando no braço da moça. Ela se encolheu mais ainda, como se a mão dele fosse uma perna de barata cascuda.
Silêncio no carro.
Só se ouvia o motor.
No banco de trás, um não podia olhar para a cara do outro, se não explodiria em riso.
Antes de chegar no barzinho, Denise disse que estava com dor de cabeça, que não nos importássemos e fôssemos pro boteco, que ela pegaria um taxi pra casa. Jerry ainda tentou contemporizar:
- Eu te levo em casa.
- NÃO! Não precisa, obrigada...Eu pego um taxi, olha, já tem um ali. Desculpe. Depois a gente se fala.
E saiu rápido antes que a gente a segurasse ali.
*
Olhamos para o Jerry. Ele disse:
- Ah, dane-se!
Na verdade, ele falou uma outra expressão parecida com essa. Relaxamos. Quando o outro carro emparelhou com o nosso, avisamos:
- Mudança de planos! Vamos para a Zoom, chacoalhar o esqueleto!
E dançamos a noite inteira.
*
Hoje, o Jerry está casado, pai de duas meninas lindas. Além dessa, teve outras histórias hilárias. Se vocês quiserem, eu conto. Como se vê, meu passado é um caso sério.
Depois ainda perguntam porque eu vivo rindo...

Convido os que me lêem aqui no Playground a ver os vídeos de minha entrevista na TV Brasil, no programa “Arte com Sergio Britto”. No Antigas Ternuras.

PteroMarco

::: Relembrado por Jack 7:24 AM

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Domingo, Maio 18, 2008

Do you wanna dance?





Atire a primeira pedra quem nunca dançou juntinho esta música! Tá bom... Atire a pedra bem certeira no meio da minha testa quem pelo menos nunca ouviu esta canção! Tudo bem que você precisa ter pelo menos ‘mais de 40’... Pois é, Johnny Rivers está vivo e passa bem! Esteve aqui na minha cidade - Santos (SP) na última quinta feira com seus 66 anos de idade e conseguiu agitar uma seleta platéia no Mendes Convention Center.

Numa tentativa de ser o mais engraçadinho da audiência, a primeira voz masculina já se manifestou logo nos primeiros acordes: “Ê tempinho bom...” Alguém discorda? As jovens senhoras mais exaltadas ainda sob suspiros, diziam: “Wonderful Johnny!” e “I love you, Johnny!” Ao que o cantor replicou: “We had good time, didn’t we?”

Ao longo de uma hora e quarenta minutos de show, pudemos nos deslocar no tempo e no espaço, onde relembramos sobre nossos bailinhos, onde os então jovens garotos levavam a bebida e as jovens garotas, a comida. Agora, a idade dos grupos podia ser calculada pelos cabelos brancos dos homens. A mulherada pinta mesmo, não é?

Poor Side of Town, Baby I Need your Love, Secret Agent Man, The Tracks of my Tears, entre muitas outras. Quando já no bis ele tenta por duas vezes começar a cantar, mas a platéia não o deixa iniciar o principal hit de sua carreira: Do You Wanna Dance? Pois aos primeiros acordes, a turma já começava a cantar: “Now me!” Johnny teve que pedir para poder acertar o tom...

No final alguém perto da gente ainda gritou: “Thank you, Johnny!”

Realmente uma noite e tanto!


By Jack


::: Relembrado por Jack 8:45 AM

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Domingo, Maio 11, 2008

A primeira geladeira


Se você conhece algum japonês ou viu algum filme japonês, sabe que não somos muito de demonstrar afeição em público. Pelo menos era assim com os meus pais, meus tios, pais de meus amigos e conhecidos dos meus pais e assim por diante. Nunca vi os meus pais ou meus tios abraçados ou de mãos dadas. Mas de alguma forma passava para a gente que mesmo sem a mesma manifestação afetiva dos casais brasileiros, havia ali amor, respeito e admiração de um pelo outro. O meu pai mostrava o seu amor pela minha mãe também através de presentes. Num ano minha mãe ganhou uma máquina de costura elétrica Elna e passou a sua velha Singer pra frente.

Mas gostei mesmo foi quando ele comprou uma geladeira num dia das mães, no finzinho da década de 50. Não foi uma geladeira qualquer. Foi a nossa primeira geladeira. E não era uma Frigidaire ou uma Climax, mas uma Hotpoint, uma americana, marca exclusiva da Mesbla. Ué, mas tinha Mesbla em Duartina? Não, não tinha, nunca teve e também não vai ter mais pois a Mesbla acabou. Assim como acabaram Mappin, Clipper, Pirani, Ducal e muitas outras lojas.

A Mesbla não escolheu Duartina e nem a vizinha Cabrália Paulista, apesar da pujante e viçosa economia dessas duas pérolas da Alta Paulista. E foi se instalar em Marília (pop 40 mil habitantes) no início dos anos 50. A loja era enorme, orgulho daquela cidade, já estava presente em grande capitais do país, chegou a ter mais de 150 empregados, vendia até carros e caminhões. Uma empresa em que os empregados tinham orgulho de trabalhar. Na época, competia com o Banco do Estado ou Banco do Brasil como preferidos entre os jovens da cidade à procura de um bom emprego. A loja tinha um clube e uma cooperativa e os empregados podiam ainda usufruir das colônias de férias de Guarujá e de Paquetá.

Foi lá na Mesbla de Marília que o meu pai encomendou a nossa geladeira. A marca Hotpoint pertencia à GE e o modelo que estava à venda deveria ser da década de 40 americana pois era de uma porta só. Nos Estados Unidos nessa época, a Hotpoint já fazia propaganda das geladeiras com duas portas.

A nossa geladeira chegou numa tarde e foi colocada num lugar de honra na cozinha. Assim que foi instalada, botamos água na forma para fazermos os cubinhos de gelo. De tanto chupar gelo acabamos com os lábios roxos. Fizemos suco de laranja e de outras frutas para congelar. Era o nosso sorve doméstico. Foi uma festa por muitos dias. Como é que pudemos sobreviver por tanto tempo sem uma geladeira?

A geladeira veio a título de presente para minha mãe, e quem se beneficou foi a família. E era assim que funcionava o esquema de presentes do meu pai. Como a máquina de costura elétrica do ano anterior. Amor à moda japonesa. Bastante prático.

Um Feliz dia das Mães!

::: Relembrado por gaijin4ever 3:02 AM

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Domingo, Maio 04, 2008

MOEDAS... MOEDAS...



Está se tornando relativamente comum, em minhas conversas jurássicas, a memória falhar ao tentar relembrar algum fato passado.
Principalmente se o assunto envolve valores monetários... Aí se torna uma missão quase impossível, uma vez que a nossa moeda já mudou tantas vezes que fica difícil imaginar o valor histórico de algo ou até mesmo lembrar o nome da moeda da época.
Por esse motivo, no intervalo do clássico que decide o campeonato carioca, republico uma pequena pesquisa com os nomes das diversas moedas que já tivemos na história deste País.

1550 a 1942 – REAL.
Pois é... O Real – Réis no plural – já foi moeda nestas terras.
Na verdade era a unidade monetária colonial portuguesa. A primeira Casa da Moeda brasileira foi construída em 1694, em Salvador/Bahia.
Com o tempo e a desvalorização o padrão monetário passou a ser o Mil-Réis. Nessa época “um conto de Réis” era 1.000 Mil-Réis ou um milhão de Réis.
Meu pai conheceu...

1942 a 1967 – CRUZEIRO.
Moeda instituída por Getúlio Vargas.
É a moeda das minhas lembranças infantis.

1967 a 1970 – CRUZEIRO NOVO.
Cortou três zeros do Cruzeiro.
Foi nessa época, em 1968, que mudei para o Rio de Janeiro.

1970 a 1986 – CRUZEIRO.
Período do “Milagre Brasileiro”. Pegou a hiperinflação dos anos oitenta. A última nota impressa tinha o valor de 100.000 Cruzeiros.

1986 a 1989 – CRUZADO.
A moeda do Plano Cruzado. Cortou três zeros do Cruzeiro.

1989 a 1990 – CRUZADO NOVO.
Outro corte de três zeros. Durou somente um ano e dois meses. A inflação nesse período foi de 2.751%. Você não entendeu errado, é isso mesmo: dois mil, setecentos e cinqüenta e um por cento.
Você lembrava disso? Foi a menos de vinte anos...

1990 a 1993 – CRUZEIRO. (Novamente)
Era o Plano Collor.

1993 a 1994 – CRUZEIRO REAL.
Foi a moeda de transição para o Plano Real. Vigorou junto com a URV (Unidade Real de Valor). Lembra? Há 14 anos...

1994 até os dias atuais – REAL.

O ciclo se completou e voltamos ao Real. Talvez, num futuro não muito distante, voltemos a chamar a nossa moeda de Réis. Eu não me surpreenderia...
Aqueles, como eu, que estão com a memória falhando, podem imprimir essa pequena relação e guardar dobradinha na carteira. Quando, na roda de bate papo, o assunto esbarrar em algum valor antigo e ninguém lembrar a moeda da época, poderemos sacar a carteira e dizer - ARRÁÁ... Eu sei!!


Fonte de consulta: Revista TERRA- Maio de 2005, Editora Peixes.

::: Relembrado por Paulo 5:19 PM

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Sábado, Abril 26, 2008

Sons que vinham da rua





Estava eu caminhando para o trabalho, quando cruzei com um vendedor de vassouras, andando na minha frente, apregoando os seus produtos:
"Êêê...Vassoura!"
Foi o bastante para apertar o "rewind" de um videocassete que eu tenho na memória. Tinha um vassoureiro que, duas vezes por semana, aparecia na rua em que me criei.

E que potência de voz! Lembro que uma vez eu estava no fundo do quintal, trepado numa mangueira, escutando cabelo crescer (quando eu não tinha mais o que fazer, subia numa das muitas árvores do quintal e ficava lá, bestando...) e o homem apareceu na esquina, espraiando seu vozeirão por toda a vizinhança:
"Vasssssssouraaaaaaaaaa....Olha a vassoura!...De pelo e piaçaaaaaaavaaaaaaa!"
*
Os sons que vinham da rua eram muitos e curiosos na sua maioria. Tinha o vendedor de cavaco:
"Dona Capitulina, o cavaco já chegou
O cavaco tem açúcar tem gosto e tem sabor
Chora, menino, pra mamãe comprar cavaco!"
(Caraco! Como é que eu ainda lembro disso???)
Pra quem não sabe, cavaco era um canudinho de biscoito, também chamados de beiju, que o homem vendia em embrulhinhos com cinco cada um. Nem lembro quanto custava, mas era uma micharia.
*

Tinha o vendedor de pirulito. Esse fazia um som difuso ("Ô-ôô!"), mas que o diferenciava dos outros pregoeiros. Além disso, ele sacudia uma matraca (tabuinha, com uma espécie de arco de arame preso pelas pontas, que ao ser sacudida produzia um som pelo ir e vir do arame). Esse eu lembro. Custava 100 cruzeiros. Quando sobrava algum dinheirinho do meu negócio de troca e venda de gibis, eu gostava daqueles cones açucarados, envoltos em papel-manteiga (que dava um baita trabalho para retirar...)
*
Pela minha rua passava um outro vendedor, que eu gostava de ouvir apregoar. Ele vinha carregado de coisas, e ainda contava com a ajuda de dois filhos, que praticamente corriam para alcançar os passos largos do pai. Eu achava que ele vendia de tudo, um armazém ambulante. Seus pregões eram assim:
"Cala-boca pra tirar mancha e ferrugem da roupa!
Pó de broca pra matar pulga, barata e formiga!
Tapete e colcha de chenile!
Anil, pregador e veneno pra rato!"
Minha mãe nunca comprava nada nele. Eu perguntava e ela dizia que já tinha tudo o que ele apregoava. Eu via o homem e seus dois meninos, andando naquele calorão, todos carregados de bolsas e penduricalhos. Quando alguém resolvia comprar algo, era um alívio até pra mim! Eles desciam as bolsas, para atender à freguesa e aproveitavam para pedir um copo d'água. Vi uma vez uma senhora dar limonada pros meninos. E eles falaram um “brigado”... que parecia um sussurro envergonhado. Em seguida, catavam as bolsas e lá iam de novo, perseguindo o andar apressado do pai.
*
Eu também fui pregoeiro durante alguns dias. Meus amigos descobriram um depósito de picolés que emprestava caixa e cedia os gelados para a gurizada vender. A molecada da rua ia vender picolé para reforçar o orçamento de casa. Eu ia por farra, mesmo.
Recebi a minha caixa com 30 picolés de diversos sabores, que eu apregoava aos berros pelas ruas do bairro: “Aêêê...o picolé é cem! Coco, uva, maracujá, limão e milho verde!”

O pior era ficar ouvindo as piadinhas dos engraçadinhos de plantão: “Ô do picolé, tem de jiló?”, “Alô, picolé! Água pura ninguém quer!”, “E aí menino, o que você leva dentro?”...
Eles achavam isso tão engraçado...
Quando era alguém do meu tope a fazer a gracinha, eu invariavelmente respondia com frases envolvendo partes remotas de sua anatomia ou eventualmente algum comentário desairoso sobre sua inocente genitora. Mas, se fosse alguém maior, só me restava ignorar e seguir adiante, anunciando meus picolés.
*

Eu só tive disposição para vender os sorvetinhos por três dias. Com a bola de futebol quicando no campo, imagina se eu iria andar debaixo daquela “lua” com uma caixa de picolés nos ombros... Com a féria desses três dias, fui na loja O Rei da Voz, e comprei um compacto duplo com a trilha sonora de “Romeu e Julieta”. Tenho o disco até hoje.
*
Nas viagens que fiz e faço, sempre presto atenção nos pregões de rua. É claro que eu prefiro aqueles que são levados no gogó, sem amplificação. Afinal de contas, não tem graça nenhuma ficar ouvindo um mequetrefe gritar pelo alto-falante: “Pamonha! Pamonha! É o puro curau do milho verde!”
*
Os antigos sons que vem da rua passam pelos meus ouvidos e acordam a minha memória: o ziiiiiiiiiiiinnnnn! do amolador de faca, o trim! trim! de campainha de bicicleta do padeiro, o fon-fon da buzina do vendedor de bolos e doces...
A sonoplastia de minhas lembranças desperta o menino que deixei no alto de uma árvore do quintal, escutando cabelo crescer. E que hoje, maiorzinho, quer manter aquele mesmo sorriso travesso e o mesmo brilho nos olhos ao ouvir os sons que vêm da rua.

PteroMarco

::: Relembrado por Jack 11:10 AM

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Domingo, Abril 20, 2008

Rin Tin Tin





Era uma série americana sobre um cão que acompanhava uma unidade da cavalaria dos EUA. O melhor amigo de Rin Tin Tin era o Cabo Rusty, garoto que perdeu os pais em um ataque dos índios e que foi adotado pela corporação. Tornou-se uma espécie de mascote. Sempre que havia algum problema e Rusty necessitava da ajuda do cão, ele gritava: "Yo ho Rinty!". Todos viviam em um forte apache, no Arizona.

O primeiro Rin Tin Tin surgiu em 1922. Foi sucedido por outros dois cães Pastor Alemão (German Shepherds) na série de TV. O Rin Tin Tin original morreu em 1932.

O canal de TV ABC estreou em 1959 uma nova série com o personagem que ficou no ar até 1961. Outro canal, a CBS, retornou com a mesma série em 1962, mantendo-a no ar até setembro de 1964.

O veterano ator James L. Brown foi convocado em 1976 para fazer as aberturas da série em que havia participado nos anos 50. Mais uma vez a série voltou ao ar com sucesso de público. E nos anos 80 e 90 uma grande quantidades de filmes foram feitos, todos inspirados no primeiro grande cão ator da TV americana, Rin Tin Tin. Surgiram os filmes da série K9 (Canine) e K9 Cop entre outros.

Só não me lembro de quando a quando passaram os episódios dessa série aqui no Brasil. Mas os atos heróicos de Rin Tin Tin tiveram até sucessor brasileiro: o cão Lobo do seriado Vigilante Rodoviário. Mas isso poderá ser até outro post. Alguém se lembra deles?

::: Relembrado por Jack 6:28 AM

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Segunda-feira, Abril 14, 2008

Fragmentos de um velho diário

início da década de 70


Preciso comprar pilhas pro meu rádio portátil. Estou ouvindo um novo programa na Bandeirantes, o Pulo do Gato do José Paulo de Andrade e está chiando demais. Os dois , o Zé Paulo e o som que vem do rádio. Queria comprar um conjunto de som, como o que vi na casa do Zé Oliveira mas ainda não estou seguro qual vou comprar. Acho que vai ser um Gradiente que estou namorando há alguns meses.

Peguei o ônibus elétrico para trabalhar hoje. Antes do trôlei chegar, deu tempo de passar na banca pra pegar o último número d’O Pasquim. E também, para ver um majestoso par de pernas de uma morenaça, dessas de fechar o comércio, a indústria e as repartições públicas. Ela estava conversando com alguém no novíssimo telefone público que a CTB de São Paulo acabou de instalar perto da banca. De repente fico com pena do Clark Kent pois ali vai ser impossível dele trocar de roupas e se tornar o Super Homem, pois aquilo não é propriamente uma cabine. Ela é alaranjada (a cabine; a morena continua morena, ali, no maior papo), de fibra de vidro toda aberta, cobrindo apenas a cabeça do usuário. E se parece com uma enorme casca de ovo cortada diagonalmente mas já começaram a chamar de orelhão, que parece, vai acabar pegando.

No escritório, a nossa secretária está toda feliz pois o nosso chefe conseguiu aprovação para comprarmos a última palavra em tecnologia de escritório: a máquina de escrever elétrica da IBM que vem com diversas esferas, cada uma com tipos diferentes de letras que podem ser trocadas e vem com um dispositivo de autocorreção! Com leve pressão nos teclados, as letras vão sendo impressas. Dou uma olhada na grande novidade e fico sonhando em ter uma dessas máquinas em casa, mas sei que vou ter que me contentar por muito tempo com a minha Lettera22 portátil, da Olivetti.

Não tenho aulas esta semana, cheguei mais cedo em casa, depois de uma rodada de cerveja com o Castilhão e Carneiro, no sujinho, ali na Jaceguai. A televisão está ligada e ouço um trecho do Summer of ’68 de Pink Floyd. É o tema do Jornal Nacional. Quem será a pessoa que escolhe essas músicas? Excelente gosto musical! Gostaria de ter um emprego desses, mesmo sabendo que não tenho qualificações pra isso. O noticiário ainda continua censurado, mas é o que temos...

A minha mãe me pergunta se não quero ver o concurso de Miss São Paulo na Tupi com ela. E como quem não quer nada, comenta que talvez eu esteja precisando visitar o barbeiro, que estou parecendo um hippie, que afinal já estou na idade de casar, que o meu pai já tinha três filhos com a idade que tenho (ô lôco, será que é verdade mesmo?!), que até o meu irmão mais novo já se casou, esses papos de mãe japonesa. Lembrei de repente que preciso terminar um projeto e escapo pro meu quarto.

O quarto está a mesma bagunça de sempre com pôsters de filmes e um infindável recortes de lindas mulheres nas paredes; jornais, revistas e roupas íntimas (infelizmente são só minhas...) espalhados, que decoram o meu pedaço. Procuro um livro pra ler, o Incidente em Antares, o último de Veríssimo que ganhei da Keiko, que quer discutir a obra comigo. Eu gostaria mesmo era discutir (quem sabe, fazermos?) outras coisas mais práticas e bem mais agradáveis...

Acabei esquecendo de comprar as pilhas e vou ter que me conformar e ouvir o rádio com os mesmos chiados. Estou ouvindo a grande Elis Regina cantando Nada Será como Antes. No todo, um dia sem novidades, como qualquer outro, mas tenho a impressão que vou me lembrar desse dia com muito carinho em algum lugar no futuro. E o seu dia, como foi?

::: Relembrado por gaijin4ever 3:43 PM

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Terça-feira, Abril 08, 2008

CHARLTON HESTON


Impedido que estive de escrever meu texto em casa nesse último final de semana, vou publicar hoje, com minhas escusas aos colegas "dinos" e leitores pelo atraso, algumas linhas a respeito de um grande ator que faleceu recentemente.
Charlton Heston, que foi batizado como John Charlton Carter, tinha 84 anos e já sofria há tempos com uma doença parecida com o mal de Alzheimer.
Confesso que pouco sei a respeito da vida particular desse homem que chegou a ser presidente da National Rifle Association (NRA), uma poderosa entidade que defende o direito dos cidadãos americanos de possuir e portar armas de fogo e, por conta disso, Michael Moore o incluiu em suas ácidas críticas no filme-documentário “Tiros em Columbine”.
Polêmicas à parte, eu gostaria de lembrar do Charlton Heston ator.
Vários personagens que interpretou marcaram a minha infância e adolescência.

O épico bíblico Os Dez Mandamentos talvez tenha sido o mais marcante, no papel de Moisés, mas vários outros se tornaram, para mim, inesquecíveis.
Ben-Hur e a memorável cena da corrida de bigas;
A Maior História de Todos os Tempos, no papel de João Batista;
El Cid, herói espanhol que lutou pela unificação da Espanha dividida entre católicos e mouros;
Agonia e Êxtase, onde interpretou Michelangelo; e
Júlio César, no papel de Marco Antonio.
Charlton Heston parecia ser o predileto dos produtores quando se falava em filme épico. Mas nem só de épicos é composta a brilhante carreira de Heston.
55 Dias em Pequim, Aeroporto 75 e os ótimos Terremoto e Midway que assisti nos anos 70, com grande emoção, pelo sistema sensurround, merecem ser lembrados.
Não vou aqui relacionar todos os filmes estrelados por ele ou outros tantos em que fez participações especiais, mas há dois clássicos na carreira desse ator que não posso deixar de citar:
- O Planeta dos Macacos (1968), um marco da ficção científica na minha modesta opinião. A cena da Estátua da Liberdade semi-enterrada na areia da praia, na cena final, é apoteótica; e
- A Última Esperança da Terra (1971), outro grande filme de ficção que me marcou e foi, recentemente, refilmado com o título de “Eu Sou a Lenda” e com Will Smith no papel principal. Houve ainda uma versão anterior, em 1964, com o Vincent Price, chamada “The Last Man On Earth”, mas gostei muito mais da versão de 71.
Enfim, fica aqui a minha modesta homenagem a esse que, se não foi um ator brilhante, pelo menos tinha uma presença marcante e muito imponente na telona.

Update: Tomei conhecimento hoje (11/04) que Ben-Hur pode virar uma série de televisão. Veja aqui a notícia. Vale como curiosidade.

::: Relembrado por Paulo 8:03 PM

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Sábado, Março 29, 2008

A velha infância





Em priscas eras, o ambiente onde eu trabalhava favorecia minhas “aprontações”. Eu e alguns dementes como eu nunca perdíamos a chance de uma piada. Por exemplo: no nosso setor, deixar bolsa ou carteira dando sopa era um perigo sério. Bastava a vítima sair da sala que pegávamos a carteira e grampeávamos todas as suas notas. Fim do expediente, a criatura entrava no ônibus de volta para casa, na hora de pagar descobria que todo o seu dinheiro estava preso por milhares de grampos. Ficava ali, diante do cobrador, na catraca, arrancando um por um, e a fila atrás, só protestando: “Ô cobrador! Ó essa roleta aê!”
Dar mole com o guarda-chuva também não era aconselhável. Picávamos quilos de papel e enfiávamos entre as palhetinhas do bicho. Quando na rua, o incauto abria o guarda-chuva, virava bailarino de frevo sem querer, debaixo de uma chuva de confete.
*


Tinha um cara no setor que, um dia chegou e tirou os sapatos e impregnando o ar com um chulé monumental. Aquela inhaca matava gambá na curva. O pé do cara deveria ser registrado na ONU como arma química de destruição em massa! Manja incêndio na fábrica de queijo gorgonzola? Pois é. E não adiantou protestar, o mané disse que a gente estava exagerando. Escolhemos um voluntário para surrupiar um pé de sapato daquele fedorento. Deu tudo certo. O indivíduo quando descobriu, implorou para que devolvêssemos. E olha, até onde eu sei, não devolveram, não. O cara voltou pra casa com um pé descalço, empestando a humanidade com aquele fedor de urubu com inhame.
*
Poucos anos depois de eu ter sido admitido (e isso aconteceu num tempo mais antigo que os rascunhos da Bíblia...), me deram um cargo de chefe de equipe. E eu montei o meu grupo com esses elementos. Eu era o chefe mais esculhambado da paróquia. Sacaneava todo mundo e todo mundo me sacaneava. Mas, curiosamente, quando eu falava: “Gente, agora é sério”, nenhuma outra equipe rendia como aquela! E quando eu tinha que chamar alguém na chincha por ter cometido excessos, falava na boa e a pessoa compreendia e me dava razão. Nunca tive problemas com nenhum deles.
*


Um dos componentes do meu grupo era o “Cristo” da turma. Vamos chamá-lo de Osmar. Pois é. O cara era tímido pra caramba. Bom de trabalho, talvez fosse o meu melhor funcionário. Super simpático, agüentava todas as brincadeiras que a gente fazia com ele. Não tínhamos como não gozar daquele cara! A postura dele ao andar praticamente o transformava em um personagem cubista do Picasso. Ele era curvo e empenado prum lado. Eu fiz uma música pra ele, pra ser cantada com a melodia de “Paisagem da janela”, do Beto Guedes. Era ele chegar e a gente cantava: “Seu andar é lateral...Parece um zumbi...” E o pior é que ele ria!
*
Não satisfeitos em cantar paródias pro cara, eu e outros espíritos sem luz resolvemos criar uma “história” pra ele. Inventamos que ele só sentia prazer sexual se estivesse fantasiado de Cavaleiro Negro, aquele justiceiro de gibi de faroeste.
*


Ficávamos contando essa história pro setor inteiro. Obviamente, o Osmar ganhou o apelido de Cavaleiro Negro! E se ele tivesse algum interesse em alguma das moças, que esquecesse. Nenhuma toparia nada com ele. O Osmar até se engraçou com uma, que foi logo avisando: “O quê? Nem morta! Ele pula de Cavaleiro Negro na minha frente e eu nunca mais vou ter concentração pra fazer sexo na minha vida!”
Não houve jeito de convencer a moça de que aquilo era inventado por um bando de canalhas. Não teve acordo.
*


Mas a sacanagem não parou aí. Um dos rapazes, que devia ter na cabeça o que o gato enterra, ficou em casa um dia, recortando cartolinas em forma de duas esporas. E o bicho foi caprichoso! Recortou com todo o cuidado, pintou na cor de prata e levou pro setor. Perto do final do expediente, ele foi devagarzinho, pelas costas até o Osmar. Prendeu as esporas na parte de trás do sapato dele com fita adesiva sem ele perceber. Pronto!
*
Na saída, organizamos um grupo para segui-lo, pois queríamos saber até onde ele iria daquele jeito. Lá ia o Osmar, como se fosse um peão pronto para montar no touro Bandido e a gente atrás. O negócio estava organizado. Tinha uma tropa de choque pronta para impedir que alguém o avisasse. Ele andando na direção da estação de trem e nós o seguindo, segurando o riso. Teve uma hora que quase a vaca foi pro brejo. Um do grupo não se agüentou e começou a cantar alto: “Ó, Suzanaaaa...Não chore por mim!” Primeiro rimos. Depois quase linchamos o cara. Depois rimos de novo.
*
Na estação, vem o trem. Todos entram. A tensão estava no ar. Será que ele iria de caubói urbano até sua casa? Olha, faltou pouco.
Ele só percebeu quando, no vagão, um menino olhava pra ele, olhava pro sapato dele; olhava pra ele, olhava pro sapato dele. Até que cutucou a senhora ao lado e falou bem alto:
“Manhê! Eu quero um brinquedinho igual ao desse moço!
Não sei como o trem não descarrilou. A explosão de gargalhadas foi sentida até no primeiro vagão.
*
Definitivamente, o meu passado me condena...

PteroMarco

::: Relembrado por Jack 8:00 AM

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Sábado, Março 22, 2008

Páscoa




Vou relembrar com vocês como era minha Páscoa quando criança. Estudei em colégio de freiras, até o quarto ano primário. Então a Páscoa cristã era realmente um acontecimento nessa escola. Assistíamos a filmes da Paixão de Cristo, no anfiteatro. Em preto e branco, e como chorávamos... Fazíamos também encenação teatral. Até coelho eu fui uma vez numa peça dessa época. Uma família de coelhos numa fábrica de ovos de Páscoa. Pena não ter fotos para postar. Uma graça! Os nossos feriados iam da quinta a segunda-feira: pra quem não se lembra, comemorávamos a Pascoela nesse dia. Ah! Na semana anterior, tínhamos o Domingo de Ramos, onde ganhávamos ramos de palmas. E guardávamos até o ano seguinte. Os meus ficavam junto com meu quadrinho da primeira comunhão.

Domingo, papai escondia ovinhos pela casa toda. Ele comprava dos pequeninos pra deixar a gente completamente maluco, de tanto procurar. E da Kopenhagen, numa época que ainda se podia comprar deles... Era uma farra maravilhosa. Ele escondia nos vasos, debaixo do travesseiro, atrás dos móveis, dentro dos enfeites da minha mãe. Uma delícia!

Ainda fizemos um pouco disso com nossos filhos. Nada que tenha sido bom pra gente, deixamos de fazer para eles. Não que fosse algo assim tipo tradição, não. Porque era mesmo muito divertido! Ensinamos também o sentido da Páscoa. Algo como o ovo significar o renascimento. Mas nada muito contundente ou ameaçador.

Hoje em dia isso tudo virou uma coisa extremamente comercial. O que se vê são supermercados abarrotados de chocolate. Mais de um mês antes... A família toda compra ovos para as crianças se entupirem de tanto comer. Algumas passam até mal. Aqui em casa costumavam durar mais de um mês. Eles não davam conta de tanto chocolate. A gente é que tinha que ajudar a dar um fim.

Boa Páscoa pra todos vocês!

::: Relembrado por Jack 7:44 AM

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Sábado, Março 15, 2008

Isto Era Cinerama


Foi lançado nesta sexta-feira, em rede nacional aqui nos Estados Unidos o filme Grand Canyon Adventure, narrado por Robert Redford com música de Dave Matthews Band. É mais um filme no sistema IMAX 3D, aquela da tela gigantesca que tem um tamanho dez vezes maior do que de uma tela que projeta os filmes normais de 35mm. Em rede nacional sim, mas em somente 40 cinemas especiais, equipados para exibir os filmes nesse sistema. As salas que apresentam este tipo de filmes, misto de filme educacional, científico e ou que tratam de problemas ambientais estão localizados em grandes museus espalhados pelo país. Não conseguiu ainda atrair uma produtora e distribuidora em escala comercial mas isto pode mudar pois Imax e AMC estão planejando abrir cerca de 100 cinemas e Spielberg e Jackson estão planejando filmar em 3D para serem exibidos nessa rede.

Ao ler essa história de telas gigantescas fui levado de volta quase 50 anos no tempo. Em 1959 foi inaugurado em São Paulo o cine Comodoro. Esta sala seria a única no Brasil, a exibir filmes no formato Cinerama, o mais novo avanço cinematográfico, que prometia revolucionar o mundo das diversões.

Comodoro ou Cinerama ficava na São João quase na esquina com a Duque de Caxias.A primeira fita que vi ali, de que me lembro vagamente, se chamava Isto É Cinerama. O filme começava com o criador do sistema, numa tela normal, explicando para a platéia as qualidades do seu sistema e de repente as cortinas se abriam e a tela aumentava e não parava de aumentar! A gigantesca tela era curvada, onde se projetavam imagens vinda de três projetores sincronizados. O resultado era uma enorme imagem que dava a sensação que você estava ali dentro da cena, principalmente se você estivesse sentado nas primeiras fileiras. Uma coisa incrível! Os filmes mostravam as possibilidades e os sensacionais efeitos desse sistema, e eram principalmente sobre viagens a lugares famosos ou exóticos tal como acontece hoje em dia com o Imax, respeitados as diferenças tecnológicas.

Na cena com esquiadores aquáticos na Flórida só faltava sentir as gotas de água sendo espirrados na platéia. Sentia um frio na barriga e as minhas mãos suavam quando descia a montanha russa num parque de diversões de Nova Iorque ou quando dávamos uma rasante passando por montanhas ou ao passar por cima de um grande desfiladeiro ou canyon. Acho que fizeram poucos filmes, com roteiro e artistas de verdade, nesse sistema. A Conquista do Oeste foi um deles, que passou ali no Cinerama por muito tempo.

Era tudo ótimo, inclusive o som estereofônico. Tinha somente um pequeno problema, que depois de certo tempo incomodava paca. O problema era exatamente aqueles três projetores, que mesmo bem sincronizados não conseguiam eliminar as emendas, e ficavam duas listras verticais na telona, durante toda a duração do filme. A foto que ilustra esse post mostra esse pequeno problema, apesar de ser quase imperceptível nesta pequena imagem.

Depois de algum tempo, o Comodoro começou a exibir filmes em sistema Todd-AO (combinação dos nomes Todd e American Optical), em 70 mm utilizando a mesma tela curva procurando replicar o efeito de cinerama, mas não era a mesma coisa. Mas era mais suave para as minhas vistas sem as emendas verticais do Cinerama, pois somente um projetor era utilizado. Os filmes exibidos no Comodoro ficavam em cartaz uma eternidade. Afinal era uma atração turística da cidade. Vinha gente de todo o Brasil para ver essa novidade. Depois que outras grandes cidades e outras salas começaram a exibir os filmes em 70mm o Comodoro perdeu um pouco da sua graça, apesar de ter a maior tela.

O pessoal da geração jurássica deve ter visto ali A Volta ao Mundo em 80 Dias, Ben Hur, Cleopatra, Dr Jivago, A Filha de Ryan, A Noviça Rebelde, Grease, Terremoto (com o sistema de som que se chamava Sensurround que estremecia todo o prédio) e alguns outros mais. Um filme entretanto, Fuga do Século 23 (Logan’s Run) ficou na minha memória. Foi onde fui apresentado à panteríssima Farrah Fawcett, que fazia apenas uma ponta, bem novinha, com aquele penteado esvoaçante que iria ser a marca registrada dos anos 70, e linda de morrer, aliás literalmente ... Infelizmente essa lista de filmes está sujeita a futuras e eventuais correções pois surgiu aleatoriamente dentro da minha cachola e posso estar misturando salas de cinema aí, pois o cine Copan mostrou muitos filmes em 70mm também...

Quando o Comodoro abriu em 1959, ainda se costumava ir ao cinema todo elegante de terno e gravata, como se estivéssemos indo ao Teatro Municipal. O centro de São Paulo era uma cinelândia com vários cinemas de luxo (naquela época, acreditem!), como o Windsor, Ipiranga, Marabá, Marrocos, o Ouro ...

Tinha um outro cinema, que ficava do outro lado da rua onde ficava o Comodoro. Um cinema muito estranho, coisa do outro mundo. Você que é de São Paulo ou que passou férias em São Paulo, se lembra dessa sala? Sim, o Cine Espacial! Era um cinema circular, e não sei se tinha três projetores, mas ficava ou ficavam bem no meio, projetando as mesmas imagens para três telas, posicionadas mais pra cima do que nos cinemas normais e equidistantes um do outro, ao redor da sala. Você ficava de frente para outras pessoas, que viam o filme que era projetado atrás de você e vice versa. Você perdia um pouco de privacidade e não se podia namorar à vontade... e talvez por isso, só fui uma única vez. Afinal vou ao cinema para ver filmes, não para ser visto... E nem lembro do título do filme que assisti, mas era um italiano. Ou teria sido um francês?

O Comodoro parece que foi demolido ou está para ser demolido, infelizmente. Aqui nos Estados Unidos, um ricaço resolveu botar um pouquinho da sua grana para salvar da demolição e preservar um cinerama em Seatle. Continua exibindo filmes para o deleite dos amantes do cinema espetacular desde 1999. Se você estiver planejando uma viagem para a costa oeste, dê uma checada nos dias e horário de exibições especiais aqui.

Foto tirada daqui. E aqui neste pedaço tem 300 fotos referentes a Cinerama.

::: Relembrado por gaijin4ever 7:00 AM

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Domingo, Março 09, 2008

DAGUERREANDO


Louis-Jacques-Mandré Daguerre (1787-1851)


Nos idos anos 50, quando eu comecei a me entender por gente e ainda não tínhamos televisão, o meu passatempo predileto era ficar à noite com meu pai, fotógrafo amador, no seu laboratório improvisado na copa-cozinha.
A mesa virava uma bancada e todas as janelas eram cuidadosamente cobertas com pano preto, num ritual que demorava alguns minutos. Em seguida a caixa de papel fotográfico e os vários frascos de produtos químicos, reveladores e fixadores, eram posicionados ao lado de uma pequena balança de precisão e meu pai, meticulosamente, preparava as misturas. Não era uma tarefa simples... Hoje em dia já vem tudo pronto, é muito mais fácil.
E eu, já devidamente instruído com uma série de “não mexa nisso e não ponha o dedo naquilo”, me posicionava em uma quina da mesa e observava toda aquela preparação, quase imóvel, num silêncio que eu raramente quebrava com alguma pergunta.
Depois a luz era apagada e, na total escuridão, acendia-se uma tênue luz vermelha.
A magia daquelas imagens aparecendo no papel branco, imerso em líquidos de cheiro azedo, me encantava.
Veio daí o meu gosto por fotografia.
Eu nunca quis me aventurar nas artes da revelação, mas sempre gostei de fotografar.
Meu pai possuía uma Rolleiflex 2.8 que eu, evidentemente, não podia usar. Vendeu-a há alguns anos para um colecionador que a levou para a Espanha, contou-me depois.
Ainda nos anos 60, ganhei a minha primeira câmera, uma Kodak Hawkeye Instamatic, igualzinha à da foto abaixo, e que eu ainda mantinha guardada há bem pouco tempo.

Não podia haver uma máquina mais simples. A Kodak havia criado um formato de filme, chamado “126”, que vinha embutido em um cartucho. Este se encaixava de forma simples e intuitiva no corpo da câmera que possuía uma pequena janela na parte de trás por onde víamos o filme correr e o número da foto que estava sendo capturada. O filme, de 12 ou 24 poses, avançava mecanicamente até o último negativo passar para o outro lado do cartucho que era então retirado e levado para a revelação.
Não havia nenhum ajuste possível além do que acionava o flash. As fotos tiradas ao ar livre eram de qualidade razoável, mas quando se tratava de ambientes com pouca luz a história era outra...
Os flashes eram pequenos cubos com uma lâmpada embutida em cada face lateral e foram comercializados aqui no Brasil com o nome de Magicube. Como o modelo da minha pequena Kodak era muito simples, ainda necessitava de um adaptador na parte de cima para encaixar os cubinhos. Detalhe: cada lâmpada do flash permitia apenas uma foto, pois literalmente estourava ao ser acionada, e era necessário girar o cubo para a foto seguinte. Assim, cada cubo era suficiente para apenas quatro fotos. Eram vendidos em caixas com três unidades como na ilustração.

Apesar da precariedade da minha Hawkeye, ela me prestou bons serviços durante mais de quinze anos. Somente em 1981 eu comprei aquela que foi a melhor câmera que já tive o prazer de usar, uma Nikon EM, que guardo até hoje. Era o modelo menor e mais barato que a Nippon Kogaku já havia fabricado até então, mas ainda assim era, para mim, um salto fantástico em termos de qualidade. Feita para iniciantes, compacta, 35 mm, com lentes intercambiáveis SLR... Foi amor à primeira vista.
Nunca gastei tanto em filmes, revelações e acessórios como naquela época. Comprei o flash e o motor drive originais, tele-converter, filtros, pára-sol, tripé, numa empolgação sem limites.
Só que, com o tempo, fui percebendo os inconvenientes de se ter uma máquina desse tipo. Para colocar tudo em funcionamento eram necessárias dez pilhas tamanho AAA, quatro para o flash e seis para o motor-drive, e mais duas minúsculas baterias, menores que moedas de 1 centavo, para os circuitos da câmera. Mas o principal era o trabalho que dava para transportar, e montar, toda aquela parafernália. Corpo da câmera, lente, filtros, flash, motor, rolos de filme, pilhas, tudo dentro de uma bolsa térmica que ficava pesada... E, eventualmente, ainda levava o tripé. Depois tira a câmera da bolsa, coloca lente, coloca um filtro, testa, troca o filtro, ajusta a abertura, velocidade, foco, monta o tripé...
- Olha o passarinho...
Que passarinho?! Todo mundo já tinha debandado.
Parei! Eu queria a simplicidade de volta.
Comprei então, em 1994, uma Olympus Stylus com zoom, amadora, bem pequena, toda automática, com lente, flash e motor embutidos e uma única bateria movendo tudo, muito prática. Fazia excelentes fotos de aniversário e já estava ótimo!
Recentemente caí em tentação e comprei uma Sony digital. A idéia era me livrar dos custos de filmes e revelações. Isso eu consegui, mas algo se perdeu nesse salto da tecnologia.
Não há mais o charme das fotos tradicionais. Aquela preparação quase ritual, de colocar a melhor roupa, de fazer pose, de procurar a melhor luz... Tudo para poupar os negativos de fotos mal tiradas. Tinha que haver capricho.
Não há essa preocupação na foto digital. Não gostou, deleta.
Perdeu-se o encanto e a magia daquelas imagens surgindo no papel imerso nas bacias de revelador...
É a evolução cobrando o seu preço.

- Olha o passarinho!


Lado a lado, a Nikon EM e a Olympus Stylus Zoom.
Foto tirada com a Sony digital.


Imagem da Kodak Hawkeye tirada daqui.

Em tempo: Louis-Jacques-Mandré Daguerre (1787-1851) foi um comerciante e pesquisador francês, tendo sido o primeiro a conseguir uma imagem fixa pela ação direta da luz (1835 - o daguerreótipo). Fonte: Wikipedia

::: Relembrado por Paulo 6:08 PM

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